'À própria sorte’: após atentado, países encerram voos de evacuação em Cabul

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An Albanian police officer helps an Afghan woman to leave a plane as she arrives with an evacuation flight at Rinas Airport in Tirana on August 27, 2021. Albania has offered to take in temporarily thousands of Afghan refugees evacuated by US forces from Kabul until their asylum claims are processed. The refugees will be settled in hotels and student dorms hastily prepared to host them. / AFP / Gent SHKULLAKU
Afegã chega a Tirana, capital da Albânia. Foto: AFP / Gent SHKULLAKU
  • Canadá, Reino Unido e Alemanha realizaram retiraram últimos aviões

  • Apenas EUA deve ficar até fim da operação, no dia 31

  • Civis vivem momento de desespero e medo

A maioria dos países que realizavam operações de evacuação de afegãos e estrangeiros encerrou as atividades no dia seguinte ao ataque terrorista ao aeroporto de Cabul, capital do Afeganistão.

O atentado deixou mais de cem mortos, entre afegãos e soldados norte-americanos. Com perspectiva cada vez mais distante de sair do país, os que ficaram vivem momentos de desespero.

"O Canadá acabou de avisar que quem está por lá está à própria sorte", relatou um afegão em mensagem enviada a uma rede de ativistas que tenta evacuar civis a partir do Barhein, repassada ao jornal Folha de S. Paulo.

Além do Canadá, o Reino Unido, segundo que mais participa da operação de retirada depois dos Estados Unidos, informou que encerra a evacuação nesta sexta-feira (27). O prazo final da operação, informado pelo presidente Joe Biden é dia 31, próxima terça-feira.

Alemanha, Nova Zelândia, França, Suécia e Espanha estão entre os países que já decolaram seus últimos aviões.

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Após as explosões, os voos foram retomados na madrugada desta sexta-feira. A expectativa é que apenas os EUA sigam operando voos até o dia 31.

Há um estado de alerta para a possibilidade de mais ataques nesta sexta-feira (27) e forças norte-americanas estão em alerta.

Até quinta-feira (26), cerca de 12,5 mil pessoas foram retiradas do país. Chega a 105 mil o número de resgatados do Afeganistão desde o dia 14 de agosto, segundo a Casa Branca.

O atentado

As duas primeiras explosões ocorreram perto do portão Abadia, cuja segurança é feita por agentes dos Estados Unidos. O Estado Islâmico, que assumiu os ataques, é um grupo rival do Talibã.

O atentado foi executado por dois homens-bomba e atiradores, que atacaram civis afegãos que se aglomeravam na entrada do aeroporto para tentar uma vaga em um voo de evacuação, e os soldados norte-americanos que realizavam a triagem.

Até agora, são 108 mortes confirmadas, sendo 13 militares dos EUA.

Zabihullah Mujahid, porta-voz do Talibã, condenou o atentado, e declarou que "o Emirado Islâmico [do Afeganistão] condena veementemente o bombardeio de civis no aeroporto de Cabul, ocorrido em uma área onde as forças dos EUA são responsáveis pela segurança".

O Estado Islâmico-Khorosan (EI-K) é crítico ao acordo de paz assinado entre o Talibã e o EUA, que resultou na retirada de estrangeios do Afeganistão.

Já o presidente norte-americano Joe Biden declarou que não irá perdoar o ataque e vai caçar os responsáveis. "Não vamos perdoar. Não vamos esquecer. Vamos caçá-los para fazer vocês pagarem", e resslatou que "esses terroristas do Estado Islâmico não vão ganhar".

Durante a noite de quinta para sexta-feira, a capital afegã seguiu em clima de alerta. Denúncias indicam outras seis explosões em diferentes bairros da capital. Muitos moradores seguem trancados em casa, saindo apenas para o essencial.

Testemunhas afirmam que ainda há pessoas que tentam se aproximar dos portões do aeroporto, driblando o bloqueio talibã. No entanto, muitos não possuem passaporte e nem meios para conseguir um para viajar.

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