A troca do IGP-M pelo IPCA ao reajustar o aluguel vale a pena?

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  • IGP-M marca uma alta de 17,78%, enquanto IPCA fechou o ano em 10,42%

  • Nenhum dos dois índices foi criado para este fim, afirmam especialistas

  • O importante é buscar uma acordo amigável, diz vice-presidente da Secovi-SP

Muitas imobiliárias e proprietários de imóveis trocaram o índice inflacionário pelo qual reajustaram o valor dos aluguéis neste ano.

Tradicionalmente usado na hora de redefinir o valor do aluguel, o IGP-M fechou em 17,78% em 2021, chegando a 37,04% no acumulado de 12 meses, em maio. Após isso começou a reduzir.

Por sua vez, o IPCA está marcando uma inflação de 10,42%. Ou seja, um reajuste por ese índice traria um custo muito menor no bolso do locatário.

É por esse motivo que as empresas do setor defendem a troca do índice, evitando calotes, brigas na justiça e dificuldades na hora de alugar.

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Diferença entre o IGP-M e o IPCA

O IPCA, Índice de Preços ao Consumidor Amplo, é o medidor inflacionário mais conhecido pelos brasileiros. Geralmente quando se refere a inflação, é dele que se fala.

Ele é medido mensalmente pelo IBGE a partir dos 400 itens mais consumidos por famílias com renda mensal entre 1 e 40 salários mínimos.

A medição ocorre nas cidades de Belém, Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Vitória.

Já o IGP-M, Índice Geral de Preços no Mercado, é medido mensalmente pelo Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), da Fundação Getúlio Vargas.

Por sua vez, sua medição é uma soma de três eixos: preços no atacado para produtores (compõem 60% do índice), preço no varejo para consumidores (30% do índice), e preço no varejo para construção civil (10%).

IGP-M sofreu uma grande disparada no início do ano por medir preços aos produtores no atacado, que tem forte relação com o dólar.

Vale a pena fazer a troca?

Segundo André Braz, economista do Ibre/FGV e coordenador do índice IGP-M, a expectativa é que em maio os dois índices fiquem bastante próximos.

"O atual patamar não pode ser considerado uma inflação boa, e as pressões inflacionárias não cessaram de todo, mas a tendência é essa: não esperamos no curto prazo outra desvalorização aguda do real frente ao dólar nem novo aumento de commodities", disse a Agência Globo.

Segundo o economista, nenhum dos dois índices foi feito para esse tipo de reajuste. O setor sofre com muitas variáveis que impedem uma padronização no cálculo, como tipo e uso do imóvel e localização.

"Mais do que troca de índice, o importante é fazer um acordo amigável para buscar um reajuste por outros parâmetros. Relocar o imóvel na pandemia é complicado e os proprietários sabem disso", afirmou Adriano Sartori, vice-presidente de gestão patrimonial e locação do Secovi-SP (sindicato patronal da habitação), à Agência Globo.

Para Sartori, no entanto, o importante mesmo é buscar um índice com pouca volatilidade, para não acabar aumentando além do necessário em um ano, e pouco em outro.

Ricardo Rocha, professor do Insper, afirma que o IPCA historicamente se mostrou menos volátil que o IGP-M, mesmo estando em tendência de alta hoje, enquanto o IGP-M está em baixa.

"A indexação ao IPCA, hoje, é mais razoável do que manter o IGP-M, que não reflete a inflação que impacta a pessoa física. É possível criar um outro índice, mas isso demora e precisaria de muita explicação sobre seus porquês até ser adotado de fato", analisa Rocha.

Com informações da Agência Globo.

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