A vida nas alturas em Nova York

Passear como turista pela cidade de Nova York é se acostumar a ir olhando para cima, perceber que a paisagem vertical também existe e que pode ser muito atraente. Há alguns meses, o sul de Manhattan apresenta a silhueta da Torre 1 do World Trade Center (WTC), o gigante que, quando for inaugurado no ano que vem, tomará o bastão das Torres Gêmeas derrubadas nos atentados do 11 de Setembro.

Em breve centenas de nova-iorquinos irão trabalhar no edifício-símbolo do Marco Zero, que já se distingue com nitidez visto de vários pontos da cidade, e alguns afortunados terão o privilégio de conviverem nos andares mais altos. Mas os moradores da cidade estão acostumados às construções verticais não só nos locais de trabalho.

A paixão pelas alturas atinge múltiplas formas. Os prédios imponentes são os lugares preferidos para se tomar um drinque quando o tempo está bom - os bares nos terraços dominam a noite Made in NY -, e também são uma das melhores opções para ficar longe do cheiro de asfalto e da falta de luz de pequenos edifícios. Com o tempo, se transformaram no melhor lugar também para se morar.

Os nova-iorquinos preferem muitas vezes viver em prédios imponentes para ficar longe da falta de luz de edifícios …Dormir entre as nuvens
Em Nova York, há bairros e edifícios para todos os gostos, mas se algo caracteriza à grande urbe americana são os arranha-céus. As melhores vistas da cidade estão dezenas de andares para cima, no alto de edifícios erguidos sobre o solo rochoso de Manhattan.

Os amantes das grandes alturas comemoraram há alguns meses a inauguração da mais recente criação do arquiteto Frank Gehry: O edifício New York, no baixo Manhattan. Trata-se do edifício residencial mais alto de Nova York, que, além de apresentar um design dinâmico, oferece para alugar o apartamento mais alto de toda a Big Apple.

Dos últimos 20 andares de um prédio que, com uma silhueta ao mais puro estilo Ghery, tem a luminosidade como bandeira e supera os 265 metros, pode ser visto da distância do Bronx, bairro situado já na parte continental de Nova York, até Coney Island, na ponta sudoeste do Brooklyn. A vista já seduziu mais de um inquilino e comprador, disposto a ganhar privacidade, luz e paisagem em pleno coração financeiro de Manhattan.

O frenesi pelas alturas segue em alta e a última joia que Ghery usou para decorar o espaço celeste de Nova York ficará sem a coroa do edifício residencial mais alto quando for inaugurado o One57, em Midtown.

No ano que vem, o prédio alcançará 306 metros de altura com 90 andares e vistas que vão desde uma panorâmica completa do Central Park ao Empire State, além de imagens do rio Hudson e do East River. E com piscina incluída.

Prédios altos, preços ainda mais
Os promotores dessa obra majestosa, muito próxima ao mítico Carnegie Hall, falam que ela significará uma "icônica transformação do skyline de Nova York", mas admitem que o privilégio de residir num espaço desses não será barato. Se o apartamento mais modesto custará perto de US$ 28 milhões, a cobertura do One57, com seis quartos, está à venda por nada menos que US$ 110 milhões. O aluguel de um apartamento médio de dois quartos vale até US$ 27 mil por mês, enquanto um de três dormitórios pode chegar a US$ 40 mil.

Alugar um apartamento no edifício de Ghery no baixo Manhattan pode parecer mais barato. Um espaço no 72o andar, com três quartos, sai por US$ 14,1 mil mensais, segundo anúncios imobiliários. Mas quando se fala das coberturas, o aluguel sobe à faixa de US$ 40 mil a US$ 60 mil por mês, de acordo com os valores de mercado das três disponíveis atualmente.

E quanto mais alta o andar, mais caro é o imóvel. Essa ascensão custa em média 2% por apartamento, conforme os dados estimados em Nova York, uma das únicas cidades americanas que passou quase inabalada pela crise imobiliária de 2007.

Além de Manhattan
Está claro que em Manhattan se concentra o maior número de arranha-céus, como o chamativo edifício do Bank of America, em plena Sexta Avenida à altura do Bryant Park, e tal como o lar atual do "The New York Times" algumas quadras mais longe, já na Oitava Avenida. Mas o gosto pelas alturas já não é algo próprio exclusivamente da ilha principal de Nova York.

Nos últimos anos, mesmo o bairro do Brooklyn, conhecido mais por seus senhoriais "brownstones" e prédios de poucos andares, abriu seu espaço vertical a edifícios residenciais que desafiam as regras da gravidade. São vários os que vivem no chamado Downtown de Brooklyn com designs interessantes, mas o Brooklyner detém o título de mais alto. Foi erguido em 2009 com 51 andares e 156 metros de altura, o que permite aos inquilinos uma invejável vista de Manhattan do outro lado do East River.

Vista das pontes do Brooklyn e Manhattan, do alto da construção da Torre 1 do novo World Trade CenterArranha-céus recordistas
A megalomania urbana segue junta à busca de recordes e façanhas. Levantar um novo arranha-céu em Manhattan e fazê-lo bater uma marca é o sonho de muitos arquitetos, engenheiros e empreiteiros. Atualmente, a Torre 1 do WTC quer assumir o título de prédio mais alto dos Estados Unidos, detido pela Torre Willis de Chicago, com 110 andares. As previsões indicavam que conseguiria sem problemas, mas uma mudança pode frustrar os planos.

O topo da torre terminaria com uma agulha recoberta por uma estrutura de aço e fibra de vidro, mas os criadores da obra agora querem eliminá-la. A agulha passaria a ser uma antena, algo que, em algumas ocasiões, não serviu para bater recordes de altura. De qualquer maneira, o prédio estará nos livros dos recordes com uma altura de 541 metros.

Atualmente, o maior arranha-céu do mundo é o Burj Khalifa, em Dubai, com 828 metros e mais de 160 andares, seguido do taiuanês Taipei 101, de mais de 100 andares e quase 510 metros de altura, e do World Financial Center de Xangai, com 492 metros e 101 níveis. O ranking das maiores edificações verticais do mundo também inclui o International Commerce Center de Hong Kong e as Torres Petronas de Kuala Lumpur.

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