Abaixe o volume: mais de 1 bilhão de pessoas correm o risco de perder a audição

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Dados da Organização mundial de Saúde revelam que mais de 1 bilhão de pessoas entre 12 e 35 anos em todo o mundo correm risco de perda auditiva devido ao uso sem segurança de aparelhos e dispositivos pessoais de som.

A exposição a sons em alto volume pode causar mudanças físicas no nervo auditivo, o que pode levar à perda auditiva mais tarde na vida, de acordo com estudo publicado no jornal científico Frontiers in Neuroanatomy.

O estudo focou especificamente nos mecanismos celulares relacionados à perda auditiva e ao zumbido, também conhecido como tinnitus. Em 90% dos casos ambos acontecem por exposição a sons em alta potência, acidentes ou envelhecimento. Quando a pessoa começa a experienciar a perda auditiva, um dos primeiros sintomas é a dificuldade no entendimento da fala, particularmente em situações ruidosas.

No caso de tinnitus, as pessoas passam a ouvir um constante zumbido, mesmo em ambientes silenciosos. O estudo da universidade americana de Georgetown explica que o som do zumbido ocorre enquanto o cérebro está tentando se auto-reparar. Isso por que a exposição extendida a altos volumes aumenta a atividade de alguns neurônios. Na maior parte dos casos esses neurônios eventualmente se acalmam, mas há cenários em que as células cotinuam hiperativas, como se o sistema nervoso estivesse tentando compensar a perda auditiva, mas ao invés, faz tudo mais barulhento.

Como acontece?

Pesquisas anteriores já haviam mostrado que a exposição repetitiva a sons em alto volume podem prejudicar uma substância cerebral chamada mielina, que é o material que cobre todos os nervos, inclusive os auditivos. Essa exposição desgasta esse material tornando-o mais fino, de forma que ao ouvir um som, esse som vai ser transmitido para o cérebro por uma série de sinais elétricos que estão pulando de um domínio de mielina para outro. A lacuna entre domínios é chamada de nódulo de Ranvier, ou nó neurofibroso.

Quando a pessoa é exposta a sons em alto volume apesar do afinamento da mielina, os resultados são esses nós, que forçam os canais auditórios a redistribuir seus recursos em resposta a essa mudança. Isso faz com que os sons leve mais tempo para alcançar o cérebro.

Dados da OMS revelam que atualmente, mais de 43 milhões de pessoas entre 12 e 35 anos vivem com perda auditiva incapacitante. Nessa faixa etária cerca de 40% estão expostos a níveis sonoros potencialmente prejudiciais em clubes, discotecas e bares.

Em crianças, a perda auditiva induzida pelo ruído atrapalha o processo de aquisição da linguagem. Dificuldades de aprendizagem e ansiedade também são resultados comuns relativos à perda de audição. Em média, crianças que são expostas a ambientes de aprendizagem barulhentos têm resultados mais baixos em testes avaliativos padronizados, segundo a OMS.

Prevenir para não remediar

A OMS define 85 decibéis como o nível mais alto de exposição segura ao ouvir por oito horas ou menos. O que seria aproximadamente o volume de um bip de microondas, um despertador ou liquidificador.

Mas já existem aparelhos celulares e outros dispositivos móveis com volume máximo de 102 decibéis. Nesse caso, cinco minutos seria o tempo recomendado antes de riscos de perda auditiva. O que pode soar extremo, mas não quando é adicionado à equação o ruído de fundo de um carro aglomerado, do trem ou o zumbido de um avião, por exemplo.

É por isso que especialistas recomendam fones de ouvido com isolamento ou cancelamento de ruído, uma vez que tornam mais fácil ouvir com um volume reduzido. Já em ambientes silenciosos, a recomendação da OMC é manter o volume abaixo de 60% da capacidade máxima dos aparelhos ou dispositivos.

Para profissionais que trabalham falando ao telefone por muitas horas, a dica é fazer rodízio entre lado esquerdo e direito a, pelo menos, cada hora.

Por Gislene Trindade