'Abandono' ocidental do Afeganistão é 'perigoso e desnecessário', diz ex-premier Tony Blair

  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
·2 minuto de leitura
(Arquivo) O ex-premier britânico Tony Blair
Neste artigo:
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.

O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, que envolveu em 2001 o Reino Unido na guerra no Afeganistão, classificou neste sábado o que chamou de "abandono" do país asiático como "perigoso" e "desnecessário".

“O abandono do Afeganistão e do seu povo é trágico, perigoso, desnecessário, não é do interesse deles, nem do nosso”, afirma Blair em artigo publicado no site da sua fundação.

Em seu primeiro comentário público sobre a crise provocada pelo colapso do governo afegão, ocorrido no último fim de semana, o ex-primeiro-ministro trabalhista (1997-2007) critica duramente as ações ocidentais: "Após a decisão de devolver o Afeganistão ao mesmo grupo do qual emergiu o massacre do 11 de Setembro, e de uma forma que parece quase desenhada para fazer alarde sobre a nossa humilhação, a pergunta que se fazem tanto aliados, quanto inimigos, é: o Ocidente perdeu sua vontade estratégica? ”

Blair, uma figura controversa no Reino Unido e no exterior por seu forte apoio à ofensiva militar liderada pelos EUA no Afeganistão e, posteriormente, no Iraque, estimou que a estratégia atual dos aliados irá prejudicá-los a longo prazo. “O mundo não sabe agora qual é a posição do Ocidente, porque é muito evidente que a decisão de se retirar do Afeganistão dessa forma não foi movida por uma grande estratégia, e sim por política”, avaliou.

Para o ex-chefe de governo britânico, isso foi feito "com todos os grupos jihadistas do mundo vibrando". "Rússia, China e Irã verão e irão se aproveitar. Qualquer um que tenha recebido compromissos dos líderes ocidentais irá considerá-los, compreensivelmente, instáveis", criticou.

Tony Blair, um dos líderes britânicos que permaneceram por mais tempo no poder, formou uma aliança estreita com o ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush durante a chamada "guerra contra o terrorismo". Seu forte apoio às intervenções militares cada vez mais impopulares no Oriente Médio foi um fator-chave para que o político trabalhista acabasse cedendo o poder a Gordon Brown em 2007.

jj/spm/tjc/mr/lb

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos