Abastecimento de energia da Ucrânia segue sob ataque russo; intensos combates no leste

Bombeiros trabalham para apagar incêndio em instalações de infraestrutura de energia danificadas por ataque de míssil russo na região de Kiev

Por Max Hunder e Jonathan Landay

KIEV/KHERSON, Ucrânia (Reuters) - Forças russas mantinham uma barragem de artilharia e mísseis em várias regiões da Ucrânia, atingindo muitas vezes a infraestrutura de energia, enquanto intensos combates persistiam nas regiões de Luhansk e Donetsk, no leste do país.

Em meio à primeira neve do inverno em Kiev, as autoridades disseram que estavam trabalhando para restaurar a energia em todo o país depois que a Rússia desencadeou no início desta semana o que a Ucrânia disse ser o bombardeio mais pesado contra infraestrutura civil da guerra, que começou em 24 de fevereiro, quando a Rússia invadiu seu vizinho.

Cerca de 10 milhões de pessoas estão sem energia, disse o presidente Volodymyr Zelenskiy em um vídeo na noite de quinta-feira, em um país com uma população pré-guerra de cerca de 44 milhões de habitantes. Autoridades em alguns lugares ordenaram blecautes forçados de emergência, disse Zelenskiy.

A infraestrutura de energia da Ucrânia sofreu novos ataques pesados na quinta-feira, desde a capital Kiev, no norte, até Dnipro, no centro da Ucrânia, e Odessa, no sul, disseram os militares em um comunicado.

Nas últimas 24 horas, as forças ucranianas derrubaram dois mísseis de cruzeiro, cinco mísseis lançados do ar e cinco drones Shahed-136 de fabricação iraniana, disseram os militares. A Reuters não conseguiu verificar os relatórios do campo de batalha.

O papa Francisco reiterou nesta sexta-feira que o Vaticano está pronto para fazer todo o possível para mediar e pôr fim ao conflito.

"Devemos ser todos pacifistas", disse ele ao diário italiano La Stampa. "Querer a paz, não apenas uma trégua que sirva apenas para rearmar. A paz real, que é fruto do diálogo."

Nas regiões de Donetsk e Luhansk, as forças russas foram reforçadas por tropas retiradas da cidade de Kherson, no sul, que a Ucrânia recapturou na semana passada.

"CÂMARA DE TORTURA"

Investigadores no território recapturado na área de Kherson descobriram 63 corpos com sinais de tortura depois que as forças russas partiram, disse o ministro do Interior da Ucrânia.

O comissário de direitos humanos do Parlamento ucraniano, Dmytro Lubinets, divulgou um video do que ele disse ser uma câmara de tortura usada pelas forças russas na região de Kherson, incluindo um pequeno aposento na qual ele disse que até 25 pessoas eram mantidas por vez.

A Reuters não conseguiu verificar as alegações --que incluíam o uso de choques elétricos para garantir confissões-- feitas por Lubinets e outros no vídeo. A Rússia nega que suas tropas ataquem civis deliberadamente ou tenham cometido atrocidades.

Valas comuns foram encontradas em outras partes anteriormente ocupadas por tropas russas, incluindo algumas com corpos de civis mostrando sinais de tortura.

Testemunha da Reuters em Kherson ouviu explosões no centro da cidade na manhã desta sexta-feira e viu fumaça preta saindo de trás dos prédios. A polícia bloqueou o acesso, mas a confusão não pareceu perturbar centenas de pessoas na praça central enquanto faziam fila para receber ajuda humanitária.

Em outros lugares, as forças russas dispararam artilharia nas cidades de Bakhmut e nas proximidades de Soledar, na região de Donetsk, entre outras, disseram os militares ucranianos.

O fogo russo também atingiu Balakliya, no nordeste da região de Kharkiv, que a Ucrânia recapturou em setembro, e Nikopol, uma cidade na margem oposta do reservatório de Kakhovka da usina nuclear de Zaporizhzhia, disse um comunicado.

O conselho do órgão de vigilância nuclear da ONU, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), novamente instou a Rússia a se retirar imediatamente de Zaporizhzhia, a maior usina atômica da Europa, e encerrar todas ações nas usinas nucleares da Ucrânia.