Erdogan compara conquista de Afrin com batalha histórica na Primeira Guerra

Istambul, 18 mar (EFE).- O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, comparou neste domingo a tomada do enclave curdo de Afrin, no noroeste da Síria, com a batalha de Galípoli na Primeira Guerra Mundial e como um marco na recuperação da grandeza otomana perdida no início do século XX.

"Quando éramos otomanos tínhamos um território de 18 milhões de quilômetros quadrados. Isto se reduziu, se reduziu, se reduziu, até 5 milhões em 1900. E daí se reduziu até 780.000 quilômetros quadrados, que é o que temos agora. E disto não vamos ceder nada mais, jamais", disse o chefe de Estado durante uma cerimônia em Canakkale, a margens do Estreito dos Dardanelos.

Erdogan lembrou assim o 103º aniversário da batalha de Galípoli durante a Primeira Guerra Mundial, na qual tropas otomanas repeliram as tentativas franco-britânicas de avançar para Istambul.

"Ontem demos uma lição em Canakkale a quem queria nos esmagar, hoje faremos o mesmo a quem tentar estabelecer um estado terrorista ao longo das nossas fronteiras para atentar contra nossa estabilidade e nosso futuro", destacou o presidente turco.

"Claro, a dimensão da luta em Canakkale não se pode comparar com nossas operações fora das nossas fronteiras, mas o objetivo é o mesmo, o espírito é o mesmo, a fé é a mesma", acrescentou Erdogan na cerimônia, transmitida ao vivo pela emissora "NTV".

O primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, tinha assegurado pouco antes na mesma cerimônia que a conquista da faixa norte da Síria não tinha o objetivo de expandir o território da Turquia.

Erdogan lembrou que às 8h30 (horário local, 2h30 de Brasília) as tropas turcas tinham tomado o controle da cidade de Afrin, situada no centro do homônimo enclave curdo no noroeste da Síria.

"Agora ondeia ali a bandeira turca. Ondeia a bandeira do Exército Livre da Síria (ELS)", disse o presidente, em referência às unidades de combatentes sírias transferidas de outras áreas do país que apoiaram as tropas turcas na conquista do enclave curdo.

"Agradeço a nossos heroicos soldados. Agradeço, em meu nome e no da minha nação, aos membros do ELS", completou Erdogan.

Segundo detalhou a cúpula das forças armadas turcas em comunicado, na campanha, iniciada no último dia 20 de janeiro sob o nome "Ramo de Oliveira", morreram 46 militares turcos, enquanto 225 ficaram feridos.

Além disso, foram "neutralizados" (ou seja abatidos, feridos ou capturados) 3.606 combatentes inimigos, de acordo com o boletim militar. EFE