Abe e Merkel defendem livre comércio e mercados abertos

A chanceler alemã, Angela Merkel, chega com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, à inauguração da feira tecnológica CeBIT em Hanover, Alemanha, em 19 de março de 2017

A chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, defenderam neste domingo o livre comércio, em um momento em que o governo americano de Donald Trump busca um maior protecionismo.

"Queremos mercados livres, abertos, obviamente queremos comércio justo, mas não queremos construir nenhuma barreira", declarou Merkel durante um discurso em Hanover, no centro da Alemanha, na véspera da abertura do Cebit, a maior feira mundial de informática e telecomunicações, que este ano recebe o Japão como país convidado.

"Na época da interconexão (...), queremos unir nossas sociedades e cooperar de forma equitativa juntos. Isso é o livre comércio", acrescentou, sem mencionar o nome do presidente americano, com quem se reuniu nesta semana.

Em relação às negociações sobre o tratado de livre comércio entre a UE e o Japão, que podem ser concluídas em 2017, Merkel disse que era "bom" que fossem realizadas com "vigor".

"Em uma época em que temos que discutir com muitos sobre o livre comércio, a abertura das fronteiras, os valores democráticos, é um bom sinal que o Japão e a Alemanha não discutam" sobre esses temas, "senão que preparem o futuro pelo bem das pessoas", acrescentou.

"As economias podem crescer graças à conectividade", declarou Abe.

O Japão tirou proveito do livre comércio e quer defender os mercados abertos junto com a Alemanha, assegurou o primeiro-ministro japonês.

"Chanceler Merkel, vamos manter um mundo aberto e que respeita as regras, que é livre e justo", acrescentou Abe, que instou a "fechar rapidamente" o acordo entre a UE e seu país.

Essas declarações chegam um dia depois dos Estados Unidos conseguirem que uma reunião ministerial do G20 retirasse de sua declaração final uma condenação ao protecionismo econômico.