Aberta a temporada de bons e doces negócios

Alex Braga*
·3 minuto de leitura

RIO — Delicioso, o chocolate tornou-se também fonte de renda para muita gente desde o início da pandemia de Covid-19. Neste mercado artesanal e fervilhante, a proximidade da Páscoa, como não poderia deixar de ser, é o momento de aumentar o faturamento. Além dos tradicionais ovos, os confeiteiros inovam com outros doces à base de chocolate, com preços mais em conta — uma demanda, explicam, que só cresce, já que os clientes estão mais seletivos ao gastar.

A professora Lorrayne Carneiro, de 28 anos, da marca Choco 15, espera um bom reforço no orçamento. Desempregada, a moradora de Curicica casou-se recentemente e ainda quita despesas feitas para montar o novo lar:

— Primeiro, pensei: “Se tem um monte de gente passando necessidade, como vão comprar chocolate?”. Mas resolvi tentar. E vi que, oferecendo versões mais baratas, as pessoas começaram a fazer encomendas. Muitas se esforçam para comprar um docinho, que traz alegria em meio a tanta dificuldade

Cristiane Trescate, de 42 anos, dona da Candy Tasty, encontrou a saída para a crise trazida pelo coronavírus inovando nos produtos. Na Páscoa, decidiu não oferecer os tradicionais ovos de chocolate, uma opção mais cara e com muita concorrência. A moradora da Taquara preferiu investir em alternativas que dessem identidade à sua produção e fidelizassem a clientela:

— O ovo de colher dá muito trabalho, e é mais caro. Eu queria fazer um produto que atendesse um maior público e fosse diferente. Aí minha filha sugeriu brownie em fatias. Gostei da ideia e fiz. Na primeira vez, já vendi rapidamente todos os pedaços. Depois, com o objetivo de trazer mais qualidade, contratei uma profissional para fazer a tabela nutricional, mandei confeccionar etiquetas com a minha marca e procurei o comércio local para fazer parcerias.

Cristiane busca um emprego fixo, mas não se deixou abater pelo momento difícil da pandemia. Contando com o incentivo de sua filha e do marido, investe, por enquanto, nos chocolates.

— Eles são deliciosos! — garante.

Já para a estudante de Administração Julia Conde, de 21 anos, a culinária virou negócio aos 18 anos. No aniversário da maioridade, a moradora da Barra produziu todos os doces de sua festa aniversário. Graças aos elogios, resolveu empreender nessa área. Hoje, sua pequena empresa, Deli Doces, ajuda no pagamento de algumas despesas de casa:

— A produção de chocolate me deu, principalmente, autonomia financeira. Durante um tempo, eu tive que pagar minha faculdade, e atualmente arco com as minhas despesas pessoais. Posso proporcionar, também, ajuda aos meus pais quando eles precisam. Inclusive já quitei contas de casa.

Durante o período inicial do distanciamento social, o negócio sofreu um baque. Mas ela conta que usou todo o conhecimento adquirido na faculdade para superar os desafios inéditos:

— Foi um grande susto! Os lugares que vendiam meus chocolates fecharam, e os eventos pararam. Tentei conduzir as coisas da forma mais suave possível, com muita cautela, e fui para o delivery. Mudei meu jeito de trabalhar para não acabar com a minha empresa, como estava acontecendo com muitas na época.

As três confeiteiras estão recebendo encomendas para a Páscoa pelo Instagram de suas marcas.

*Estagiário, sob a supervisão de Lilian Fernandes

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