‘Abestalhados 2’: 'Não há nada como rir de si mesmo', diz diretor Marcos Jorge

“O Brasil quer rir”. A frase é dita pelo personagem de Paulinho Serra na comédia de ação “Abestalhados 2”, que estreia hoje com o objetivo de, assim como em outros filmes do gênero, levar as pessoas aos cinemas neste momento em que as salas buscam retomar o público afastado pela pandemia. E parece que essa missão tem dado certo, inclusive gerando continuações. Tanto que o título do lançamento vem justamente de uma brincadeira feita pelos produtores de “Abestalhados 2” com a onda de sequências: “E se já fôssemos logo para o 2”?

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E assim nasceu a continuação de um filme que jamais existiu. Dirigido por Marcos Jorge (“Estômago”) e Marcelo Botta (“Adnet viaja”), o longa conta a história de quatro profissionais do audiovisual que trabalham na produção de um blockbuster de ação chamado “Acelerados 2”. Ambiciosos, eles gastam todo o orçamento em uma cena mirabolante e precisam arrumar uma forma de financiar o restante do projeto, ao mesmo tempo em que são acompanhados por uma câmera que registra os bastidores da empreitada.

— Fiquei muito interessado em fazer uma comédia com metalinguagem. Me atraiu a possibilidade de fazer uma brincadeira e mostrar um pouco sobre a magia que é fazer cinema — diz Marcos Jorge. — É minha primeira “comédia comédia”, em que tento fazer as pessoas rirem do começo ao fim. Tenho muito respeito pelo gênero, sempre tentei colocar um pouco de humor em meus filmes. Comédia é o jeito mais dessacralizador de se fazer crítica. Não há nada como rir de si mesmo.

Agora no contexto da comédia popular, o diretor fala da necessidade de fugir de fórmulas e considera importante o fato de também usar elementos de ação e aventura.

— Espero que essa mistura nos faça encontrar este público. É um filme para ser visto nos cinemas, com cenas de ação grandiosas — diz Jorge, que também assina o roteiro ao lado de Botta, Gabriel Di Giacomo e Pedro Leite.

Conhecido pelo trabalho em “Pânico na TV” e “Comédia MTV”, Paulinho Serra vive o egocêntrico diretor Paulo Carmo, que tenta viabilizar filmes ao lado do ambicioso roteirista Manuel Oliveira (Raul Chequer, do “Choque de cultura”), do diretor de fotografia Alex Balas (Felipe Torres, do “Hermes e Renato”) e do técnico de som Eric Rios (Leandro Ramos, também do “Choque”).

Alexandre Rodrigues, José Loreto e Wellington Muniz, o comediante Ceará, surgem em cena como versões de si mesmos. O trio é alvo do quarteto principal, que busca celebridades que ajudem a tornar o projeto viável.

— O filme conta a história de pessoas querendo fazer cinema. E, por trás, havia pessoas batalhando para fazer cinema. É sobre como fazer cinema é um sonho — resume Serra.

Com trabalhos marcantes no “Choque de cultura” e no “Larica total”, Leandro Ramos conta que entrou para o longa por causa da “agenda atribulada de Daniel Furlan”, primeira escolha para o personagem. Ele diz se identificar com a ideia de fazer filme no improviso. No longa, seu personagem fica encantado ao se deparar com um estúdio de som profissional. O ator conta que também já teve momentos de deslumbramento em sua carreira.

— Nunca tinha pensado em ser ator, e aconteceu por acaso. Depois do “Choque de cultura”, as coisas foram acontecendo, e o primeiro convite que recebi foi para “O mecanismo”, série do José Padilha. Quando cheguei no set e vi tudo aquilo montado, 60 pessoas em volta, figurino, um verdadeiro circo do audiovisual, caiu a ficha — relembra.

Agora o time já no próximo passo, adianta Marcos Jorge:

— Temos ideias, mas não temos clareza se será “Abestalhados 3”, “Abestalhados 2 2” ou se vamos fugir do terceiro e ir direto pro quarto. Ou se vamos tentar fazer o “Acelerados”, que é o filme que eles tentam fazer dentro do filme. Mas queremos continuar a brincadeira.

Boas perspectivas

Público, há. Desde o início dos anos 2000, as comédias se tornaram um dos estilos preferidos dos brasileiros, que lotaram os cinemas para assistir “Se eu fosse você” (2006), “De pernas pro ar” (2010), “Até que a sorte nos separe” (2012), “Minha mãe é uma peça” (2013), “Os homens são de Marte… E é pra lá que eu vou” (2014), entre muitas outras.

Segundo o site “Filme B”, das 20 maiores bilheterias brasileiras de 2022, dez são comédias, incluindo “Tô ryca 2”, que levou 525 mil pessoas aos cinemas, atrás apenas de “Turma da Mônica — Lições” entre os filmes nacionais mais vistos do ano.

Os números são bons, especialmente se considerarmos o lançamento em meio à pandemia, mas bem distantes dos registrados pelo primeiro “Tô Ryca” (2016), visto por 1,1 milhão de pessoas, ou por “Minha mãe é uma peça 3” (2019), maior público do cinema nacional, com 11,8 milhões de espectadores.