Aborto divide EUA e aumenta logística de quem procura o procedimento

A mudança no direito ao aborto nos EUA abriu caminho para um país dividido. O estado do Missouri, no Centro-Oeste, proibiu a interrupção voluntária da gravidez mas, por exemplo, no estado vizinho Illinois, o aborto é permitido.

Lori Lamprich é voluntária na Midwest Access Coalition, uma organização que ajuda mulheres a interromper a gravidez. A instituição oferece viagens e alojamento a quem não tem posses para pagar o procedimento.

Lori Lamprich diz que a mudança da lei vai aumentar o número de pessoas a procurar ajuda. "Vamos ter todas as pessoas que teriam ido para St. Louis e que terão de ir até Illinois", diz. "Vamos ter mulheres do meio do Missouri que viriam para aqui, para St. Louis, e que agora terão de ir para Illinois." conclui, a voluntária de 39 anos, que conduz a carrinha da organização até ao estado vizinho.

"Não é uma grande vitória porque o aborto ainda está disponível (...)"

Mas há o outro lado. O lado contra a interrupção voluntária da gravidez. No estado de Missouri, a divisão de opiniões é bem perceptível. Na rua de uma das clinicas onde era permitido o aborto, estão manifestantes, contra e a favor. E até missas são celebradas por quem é contra a interrupção.

Um padre, que escolheu ficar anónimo, disse em entrevista que a mudança de lei "não é uma grande vitória" porque "o aborto ainda está disponível, é só necessário conduzir para fora do estado". O representante da Igreja Católica diz também que "pelo menos chegou o tempo em que se diz com naturalidade que nem todos concordam com isto."

Em 2020, foram realizadas mais de 46 mil interrupções voluntárias da gravidez só no estado de Illinois, desses números, um quinto pertence a mulheres que viajaram de estados vizinhos, 6500 mulheres viajaram do Missouri. Estima-se que o número agora dispare para 20 a 30 mil mulheres apenas do Missouri.

Os especialistas em direito, avisam que é possível que os estados que criminalizem o aborto passem a considerar cúmplices quem ajuda no processo de ajudar as mulheres a procurar o procedimento num outro estado, como é o caso de Lori Lamprich.

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