Abortos aumentam nos EUA, revertendo tendência de 30 anos

Clínica de saúde feminina em Mississippi, única clínica de aborto do Estado, na cidade de Jackson

Por Sharon Bernstein

(Reuters) - Os abortos realizados nos Estados Unidos cresceram 8% durante os três anos encerrados em 2020, revertendo uma tendência de 30 anos de declínio, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Guttmacher, um grupo de pesquisa sobre direitos ao aborto.

A elevação ocorre no momento em que a Suprema Corte dos EUA deve decidir este mês em um caso amplamente esperado para encerrar ou restringir severamente o direito ao procedimento, conforme indicado por um rascunho de parecer vazado do tribunal.

O aumento significa que o impacto da anulação da decisão do tribunal no caso Roe vs. Wade de 1973, que legalizou o aborto em nível federal nos Estados Unidos, seria maior do que o previsto, disse a pesquisadora Rachel Jones, coautora do estudo.

"Nos 20 e poucos anos que venho fazendo pesquisas sobre aborto no Guttmacher, esta é a primeira vez que tivemos um aumento no aborto", afirmou Jones em entrevista.

Em 2020, segundo o relatório, foram feitos 930.160 abortos nos Estados Unidos, acima dos 862.320 em 2017. Pouco mais de uma em cada cinco gestações --ou 20,6%-- terminou em aborto em 2020, acima dos 18,4% em 2017.

As mudanças variaram por Estado. O Mississippi, por exemplo, teve um aumento de 40% no número de abortos realizados, enquanto Oklahoma apresentou um salto de 103% no período de três anos.

Em comparação, os abortos no Missouri caíram 96%, de 4.710 em 2017 para 170 em 2020. O vizinho Illinois mostrou um aumento de 25% nos abortos, indicando que as mulheres do Missouri podem ter procurado abortos lá.

Não ficou imediatamente claro o que levou ao aumento dos abortos. Um fator pode ter sido uma expansão da cobertura em muitos Estados sob o programa Medicaid, que oferece assistência médica para norte-americanos de baixa renda, disse o relatório.

Outra possibilidade é que algumas mulheres tenham perdido o acesso aos cuidados contraceptivos sob restrições em programas públicos durante a Presidência do republicano Donald Trump, o que pode ter levado a mais gravidez indesejada, segundo o relatório.

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