Abrigos para crianças migrantes são alvo de denúncias de abuso nos EUA

O acusado de abuso sexual trabalhava no Southwest Key Program, que administra abrigos para menores em todo o país

Mais de 12 abrigos para onde o governo dos Estados Unidos enviou crianças migrantes foram acusados de violar padrões de atendimento, indicou um relatório independente, em meio à polêmica sobre a política migratória do presidente Donald Trump.

A investigação revelada na quarta-feira, quando Trump ordenou o fim de sua questionada política de separar pais e filhos menores de idade que cruzam ilegalmente a fronteira, foi feita pelo site de informação Texas Tribune e pelo Center for Investigative Reporting (CIR), conhecido por revelar injustiças e abusos.

O relatório reporta acusações de abusos físico e sexual, bem como violações de normas de segurança e cuidado das crianças ocorridos em abrigos privados.

Entre as infrações citadas por inspetores do estado do Texas estão a falta de atendimento médico a lesões e doenças, além de erros na administração de medicamentos.

Segundo o relatório, mais de 70 entidades privadas, em sua maioria grupos religiosos e sem fins lucrativos, foram contratados pelo Escritório de Realocação de Refugiados (ERR), dependente do governo federal, para cuidar das crianças migrantes chegadas aos Estados Unidos sem seus pais, ou separadas deles pelas autoridades migratórias.

Desde 2014, 13 operadores de abrigos enfrentaram graves denúncias, mas somente dois perderam seus contratos com o ERR, indicou o relatório.

As acusações de violações e práticas ruins remontam há duas décadas, antes de o ERR contratar os abrigos, mas também ao mês passado.

Entre as entidades identificadas está a Southwest Key Programs of Texas, que se define como "uma organização nacional sem fins lucrativos fundada em 1987 para melhorar as vidas das crianças e de suas famílias".

Esta instituição opera no abrigo Casa Padre, que funciona em Brownsville (Texas), no que era um supermercado Walmart e que recentemente apareceu muito nos meios de comunicação americanos por acolher 1.500 imigrantes separados de seus pais em cumprimento da política de "tolerância zero" com a imigração ilegal anunciada por Trump no início de maio.

O relatório diz que os inspetores do Texas encontraram 246 violações em outras instalações dessa organização.

Em um comunicado, a companhia disse que foram encontradas deficiências em menos de 1% dos padrões avaliados.

"Levamos a sério cada uma das deficiências", assegurou a empresa. "Quando chamaram nossa atenção, a equipe foi demitida ou recapacitada enquanto continuávamos nos esforçando pela excelência nos serviços que fornecemos às crianças confiadas ao nosso cuidado".

Outra empresa com sede no Texas, International Educational Services, foi uma das duas operadoras de abrigos cujos contratos com o ERR não foram renovados.

O relatório menciona mais de 100 deficiências em nove de suas instalações, incluindo "contato sexual inapropriado entre a equipe e as crianças, punições rígidas e falhas no atendimento médico".

O ERR não respondeu a uma solicitação de comentário feita pela AFP.