Abrigos de SP estão lotados e sem divisão para doentes

Foto mostra abrigo do Tietê cheio de pessoas que fazem parte do grupo de risco. Foto: Arquivo Pessoal

“A situação está desesperadora. Os centros de acolhida não têm espaço físico para ter área de isolamento. A maioria está em sua capacidade máxima. Os centros de acolhida para idosos têm a situação mais grave e o problema são as baixas temperaturas batendo na porta”. Esse é o relato de um profissional que trabalha em um dos abrigos da cidade de São Paulo em relação ao isolamento da população de rua durante a pandemia de coronavírus.

De acordo com ele e com outras fontes ouvidas pela reportagem do Yahoo, os abrigos oferecidos pela prefeitura não têm separação de alas para deixar pessoas com sintomas de coronavírus longe daquelas que não apresentam nenhum sintoma. “O maior problema é o que encontramos em todo o País: falta de testes. Aí surgem os benditos casos suspeitos. Mas aí os casos suspeitos geram mais contaminação e medo”, explica um dos informantes.

Segundo ele, algumas pessoas que tinham tuberculose e pneumonia, por exemplo, foram tratadas como se tivessem coronavírus e foram colocadas em locais que estavam pessoas com coronavírus e, portanto, ficaram expostas ao Covid-19. “Sabemos de pessoas que saíram do abrigo com medo. Ou seja, essas pessoas vão morrer de frio na rua por não aceitar correr o risco de ser contaminado”, afirma a fonte.

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“Vejo que não teve um preparo ou treinamento nos espaços. Então, qualquer tosse ou mal estar, eles estão tratando como suspeita de Covid-19. O medo e a falta de informação aliados causam grandes estragos. Nós concordamos que alguém com os sintomas vai querer se tratar. A pessoa não negaria ajuda médica. Agora, se não sente nada, ela não vai querer ir para um lugar cheio de pessoas que possivelmente contraíram o vírus”, diz.

Imagem feita no abrigo do Tietê. Foto: Arquivo Pessoal

De acordo com a fonte, o abrigo Emergencial para Idosos do Tietê, o CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento) Mooca I, o Emergencial Zaki Narchi, o Estação Vivência, o CTA Guaianases e o CTA Aricanduva são os que estão em situação mais precária e que precisam de maior atenção nesse momento de pandemia.

“Eu recebo denúncias sobre a região central, que é o complexo Boracéia [Barra Funda], Zaki Narchi, onde faleceu um funcionário, CTA Anhangabaú, na Praça da Bandeira e Morada São João, na mesma avenida. Esses são os albergues. Os abrigos emergenciais em pior estado atualmente, que vi de perto, é o Pelezão, na Lapa, e o Tietê, na Santos Dumont”, diz outra fonte ouvida pela reportagem.

Imagem mostra como as camas ficam próximas. Foto: Arquivo Pessoal

Segundo as vozes ouvidas para a produção desta matéria, ao menos 10 pessoas em situação de rua já morreram infectadas pelo coronavírus. A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social da Cidade de São Paulo para questionar sobre o número de mortos confirmados, a separação dos doentes e a existência e uso de testes para a doença.

Até o fechamento desta reportagem, os questionamentos não foram respondidos. Se as respostas forem enviadas pela pasta, elas são adicionadas à matéria original após sua publicação.

Idosos no abrigo do Tietê. Foto: Arquivo Pessoal