Absorvendo o tabu: um filme tão real no Brasil quanto na Índia

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É raro diretoras mulheres ganharem o Oscar. Mas não estamos aqui para falar de cinema. O veto do presidente Jair Bolsonaro ao projeto de distribuição gratuita de absorventes íntimos para estudantes, mulheres em condição de rua e presidiárias remete ao curta "Absorvendo o tabu" que, em 2019, ganhou a estatueta de melhor documentário. A diretora iraniana-americana Rayka Zehtabchi foi para uma aldeia na Índia contar a história verdadeira e comovente que está por trás do que o tecnicismo passou a chamar de pobreza menstural. Ela capturou imagens e depoimentos reais para fazer um retrato da exclusão e das humilhações a que são submetidas mulheres em situação semelhante no mundo todo.

Na Índia, o ato natural de sangrar todo mês é um estigma forte. Taxado em todo mundo como um item não-essencial, às vezes com alíquotas tão ou mais altas que de artigos de luxo, os absorventes são caros e isso tem um impacto sobretudo na população feminina de baixa renda de países pobres. No filme de apenas 26 minutos, que pode ser visto na Netflix, Zehtabchi acompanhou um grupo de mulheres que passaram a usar uma máquina para produzir o item de forma barata, o que não só lhes daria mais independência financeira como também ajudaria a resolver um drama dentro de sua própria aldeia. A ideia garante hoje o abastecimento de outras 40 comunidades na área rural de Kathikhera.Lá, 23% das jovens deixavam de ir as aulas quando estavam menstruadas. O equipamento que mudou centenas de vida foi montado por uma professora que saiu com seus alunos de Los Angeles rumo à vila indiana, em Hapur.

Aqui também é assim. A falta de acesso a absorventes por meninas pobres chega a afetar o ritmo de aulas de 1 em cada 4 estudantes, de acordo com reportagem feita em maio pelo "Fantástico". No Brasil, estima-se que cerca de 20% de toda a população feminina não tem acesso ao item de higiene. Entre outros horrores, usa-se miolo de pão compactado no órgão sexual para conter o fluxo ou até mesmo jornal. São paliativos impostos pelo atraso, que envergonham e nao resolvem o problema para falar só do ponto de vista prático.

Ao ganhar o Oscar, Zehtabchi disse: "Eu não estou chorando por estar menstruada ou algo do tipo".

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