Abstêmia, Alcione se diz ‘sambista às avessas’ e comenta concorrência com Zeca Pagodinho ao inaugurar seu próprio bar

Naiara Andrade
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Foto: Vinícius Mochizuki/ Assistente de fotografia: Rodrigo Rodrigues/ Stylist: Rodrigo Barros

Alcione

Foto: Vinícius Mochizuki/ Assistente de fotografia: Rodrigo Rodrigues/ Stylist: Rodrigo Barros

Na Semana da Consciência Negra, a cantora Alcione, que há quase 50 anos é inspiração na música, vai reforçar sua imagem no mundo da boemia: nesta segunda-feira (16), será inaugurado no CasaShopping, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, o Bar Alcione — A Casa da Marrom.

No primeiro dia, o espaço abrirá as portas só para amigos e convidados da anfitriã, mas nesta terça-feira (17) o público em geral já vai poder frequentar o local, que contará com apresentações de novos e consagrados artistas, garçons performáticos e a tradicional feijoada com roda de samba. Na quinta-feira (19), o ápice: a maranhense vai fazer lá o seu primeiro show com presença de público dos últimos nove meses, desde que se instaurou a pandemia no Brasil. E adiantará as celebrações pela chegada dos 73 anos, que lhe são bem-vindos.

— Menina, eu estou com uma saudade de palco, de microfone e das pessoas... A gente vai se esbaldar, vai ser bom demais! O povo só não vai poder me abraçar, porque a cantora tem que ficar bem, né? Mas vai todo mundo me ver espalhando beijos — antecipa ela, de olho nas recomendações de distanciamento social para evitar a transmissão do coronavírus: — Estamos preocupados, não pode ter aglomeração. Sei que é difícil não ter tumulto numa casa de samba, mas é preciso se cuidar. É regra, não podemos ficar fora da lei.

Já há quem diga, brincando, que a sambista está abrindo concorrência ao amigo Zeca Pagodinho, que inaugurou seu bar há dois anos, num endereço a apenas seis quilômetros de distância do dela.

— Não tem nada disso não, minha colega! O dele está sempre lotado e vai continuar... Tem público pra todo mundo. Um é do Zeca, outro é da Alcione, mas é tudo do samba. Sabe que a gente nem conversou ainda sobre isso? Vou dizer pra ele: “Não vem me arrasar, hein!” (risos).

Fora a decoração do lugar, com fotos e itens do acervo pessoal da homenageada, como seu inseparável trompete, arraso mesmo é o cardápio do Bar Alcione. As iguarias foram elaboradas pela chef e “mestre do sabor” Katia Barbosa: tem de croquetes de vaca atolada e empadinhas de porquinho a pudim de cachaça e creme de cupuaçu com chocolate.

— Eu provei tudo e dei os meus pitacos. A geleia de pimenta da minha irmã Ivone, por exemplo, fica muito boa com certos quitutes. Os bolinhos de feijão e de arroz de cuxá são sensacionais, mas eu gostei mesmo foi do caldinho de bobó de camarão... Quem é que não gosta de um caldinho pra acompanhar uma cervejinha?!

Os que ouvem até imaginam que a artista seja fã de uma “loura gelada”, como a maioria dos bambas...

— Que nada! Eu não bebo, não! Sou uma sambista às avessas, nesse sentido. Do que eu gosto, não posso nem chegar perto, porque sou diabética: um bom vinho do Porto e a caipirinha da minha irmã. Mas, vou te falar: aonde quer que eu vá, só vou acompanhada de “esponja”. Ô povo pra beber! Eles vão acabar com o meu estoque de cerveja, e eu só vou ficar nas comidinhas. Até a inauguração, estou fazendo dieta, para ficar linda. Depois, não vou conseguir resistir — entrega aquela que já embalou muita dor de amor nos botecos da vida: — Eu tenho essa voz de bar, né? Mas eu mesma nunca afoguei as mágoas num copo de bebida (alcoólica). Quando chorei, foi em casa, tomando leite ou guaraná.

Guaraná Jesus, de preferência. Aquele cor-de-rosa, com gosto que lembra tutti frutti e foi alvo de zombaria do presidente Jair Bolsonaro no último 29 de outubro, quando ele visitou o Maranhão.

— Ah, eu fiquei danada! Esse guaraná é tomado na mamadeira na minha terra, é uma tradição. Está na nossa memória afetiva, é digno de respeito. Ainda mais porque carrega no nome uma figura divina! Sempre foi chamado de “o sonho cor-de-rosa das crianças do Maranhão”. Pode ter certeza de que estarei brindando meus 73 anos com Guaraná Jesus! — desabafa ela.