Abstenção chega a 20,8% e se mantém estável nas eleições de 2022

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com 95,5% das urnas apuradas, o número de abstenções nas urnas, ou seja, de pessoas que não compareceram para votar, chegou a 31,2 milhões (20,8% dos eleitores).

O resultado é estável se comparado à última eleição majoritária, em 2018, quando Jair Bolsonaro (hoje no PL) foi eleito. Em relação a 2002, quando 20,4 milhões de pessoas não votaram, as abstenções cresceram 50,6% no país. Os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que o aumento foi gradativo.

Apesar do aumento no número de abstenções, os brasileiros enfrentaram filas para votar neste domingo (2). A espera chegou a mais de uma hora em várias capitais. Podem ter contribuído para a demora o aumento no número de eleitores e a validação da biometria na identificação. Alguns eleitores também esqueceram de levar uma anotação com o número dos candidatos.

O salto maior de abstenções foi a partir das eleições de 2010, especialmente no segundo turno, quando houve crescimento de 22% das abstenções se comparado à eleição anterior.

Em 2006, 23,5 milhões de brasileiros se abstiveram de votar no segundo turno, enquanto, em 2010, mais de 29,1 milhões não compareceram às urnas. Os dados levam em consideração apenas as eleições majoritárias.

Em 2010, quando a abstenção se destacou no segundo turno, os partidos que protagonizaram a disputa presidencial foram o PT, como Dilma Rousseff, e o PSDB, com José Serra.

Preocupação de campanhas com abstenção Temendo que altos índices de abstenção contribuíssem para levar a eleição presidencial para o segundo turno, a campanha Lula procurou se comunicar com quem não costuma comparecer às urnas para reduzir as ausências em seu favor.

A publicação de um artigo do cientista político Jairo Nicolau sobre a escolaridade de quem mais compareceu e se absteve nas últimas eleições majoritárias, com base nos dados do TSE, sugeriu que as abstenções de pessoas com menor nível de escolaridade poderia desbancar a chance de Lula vencer as eleições no primeiro turno.

Isso porque a entrada de Lula é maior entre os eleitores com escolaridade até o ensino fundamental. Além disso, havia um temor que o indicativo de violência nas urnas pudesse motivar as abstenções.

O resultado das últimas pesquisas eleitorais foi um combustível a mais para a campanha de Lula incentivar o eleitor a sair de casa para votar.

Um dos fatores que pode limitar o comparecimento nas camadas mais pobres é o custo com transporte público para se deslocar ao local de votação. Na semana passada, o Supremo Tribunal Federal determinou que as prefeituras mantivessem a oferta normal de transporte público nas eleições.

A campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) entrou com pedido no TSE para limitar os efeitos da decisão, sob a alegação de que a medida constituía "grave interferência no funcionamento do serviço de transporte público".

O pedido foi negado pelo ministro Benedito Gonçalves, que o considerou "absurdo".

Recorde de eleitores Segundo o TSE, o número de brasileiros aptos a votar neste ano chegou à casa dos 156,5 milhões. As mulheres foram maioria, com 52,65% do total. Esta também foi a eleição em que os jovens demonstraram mais interesse político, uma vez que 2,1 milhões de pessoas entre 16 e 17 anos fizeram o título de eleitor mesmo sem a obrigação de votar.

O interesse pelo voto por pessoas que vivem no exterior também aumentou significativamente.

No total, são 8,5 milhões de eleitores a mais do que nas eleições de 2018.

Embora os dados apontem para um recorde no número de eleitores, é importante destacar que 24,48%, o que corresponde a uma fatia de 38,3 milhões de brasileiros, não fizeram o recadastramento por biometria.

Brancos e nulos Neste ano, foram registrados 2,8% de votos nulos e 1,6% de votos brancos na eleição para presidente.

Entre as eleições majoritárias de 2002 e 2018, os votos nulos cresceram 3,3%, enquanto os brancos aumentaram 8,1%. Já no segundo turno, no mesmo período, o crescimento de votos nulos foi de 128%, e bateu recorde nas eleições que elegeram Jair Bolsonaro em 2018.

Os votos válidos e comparecimento em urna também tiveram aumento acentuado no período, passando dos 20% tanto no primeiro quanto no segundo turno.