Acúmulo de pacientes graves com Covid-19 em UTIs do Rio preocupa médico: 'A equipe está muito cansada'

Rodrigo de Souza
·1 minuto de leitura

RIO — O médico Diogo Medeiros chegou na manhã desta terça-feira ao Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, referência no combate à Covid-19, para cuidar dos oito pacientes graves da doença que estavam sob seus cuidados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde trabalha. Ao longo do dia, nenhum deles recebeu alta, mas outras três pessoas foram admitidas no setor. Doze horas depois, Medeiros encerrou seu plantão estourando o limite recomendável de dez pacientes por intensivista. Onze pessoas: 11 vidas que requerem observação constante e minuciosa, e cuja fragilidade exige dos médicos uma disposição inabalável, resistente ao cansaço e às suscetibilidades emocionais.

Este é só mais um dia na vida de Medeiros, que dá seis plantões integrais e três noturnos por semana. Otorrinolaringologista da UFRJ e intensivista por missão, o médico de 32 anos está na linha de frente desde abril do ano passado, tendo atuado também no hospital de campanha do Riocentro, que foi desativado em janeiro deste ano. Com o conhecimento que acumulou sobre o impacto concreto e diário da Covid-19 nos hospitais, Medeiros é taxativo sobre a nova situação de emergência que se desenha na cidade.

— O número de casos graves aumentou consideravelmente, sobretudo na última semana — diz ele. — O número de pacientes por médico continua sem passar muito do limite de dez, mas com certeza a demanda aumentou. — O que a gente observa de um modo geral é que a equipe como um todo (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas etc.) está muito cansada. Tenho colegas que pararam de trabalhar na linha de frente por cansaço emocional e físico.

EXCLUSIV0 PARA ASSINANTES: