Acaba o pesadelo dos 232 migrantes a bordo do Ocean Viking

Depois de um longo impasse, e de Itália lhe ter fechado a porta, França aceitou acolher o navio Ocean Viking no porto militar de Toulon. De acordo com o ministro do Interior gaulês, Gérald Darmanin, apenas "um terço" dos passageiros será "relocalizado" para França, os restantes serão enviados para a Alemanha e outros países europeus.

A guarda costeira francesa já iniciou a assistência médica e três migrantes, gravemente doentes, foram transferidos para hospitais.

O ministro francês assegurava que este acolhimento acontece "excecionalmente" e que os passageiros que não preencherem os critérios de requerentes de asilo serão "deportados imediatamente".

O navio da SOS Mediterranée, com 231 migrantes a bordo, resgatados no Mediterrâneo há mais de duas semanas tinha visto recusado, por Itália, a sua entrada no país. O Ocean Viking permaneceu, mais de quinze dias, em águas internacionais lançando gritos de alerta, pedindo ajuda para salvar as vidas que trazia a bordo.

Em comunicado, a SOS Mediterranée afirmava ter recebido a notícia do acolhimento francês com alívio mas com sabor amargo pelas provações porque foram obrigados a passar os migrantes resgatados.

Uma crise diplomática na Europa

Este crise criou uma outra, ao nível da Diplomacia. A decisão da primeira-ministra italiana de não deixar desembarcar os passageiros, não só do Ocean Viking mas de outros navios, aumentou a tensão não só com França também com as instituições europeias.

Pressionada, Giorgia Meloni acabou por ceder e aceitou receber parte dos migrantes do Rise Above, 89 pessoas. Delegados de Saúde acabariam por decidir, e por questões de Saúde, o desembarque de mais de uma centena de outros passageiros do Geo Barents, o que enervou a chefe do executivo.

Mas a situação estava longe de estar resolvida o que levou, na quinta-feira, a Comissão Europeia a alertar para o facto de que a situação a bordo do Ocean Viking tinha atingido "um nível crítico" e que devia "ser resolvida, urgentemente, para evitar uma tragédia humanitária".

Com o navio ainda sem rumo definido, Meloni anunciava que França tinha concordado aceitar recebê-lo num dos seus portos, isto apesar de, pelo menos publicamente, o governo francês não ter feito qualquer promessa.

Do lado gaulês, a resposta não se fez esperar. Gérald Darmanin criticava a "decisão incompreensível" de Itália de não receber o referido navio e decidia acabar com o impasse que punha em causa a vida de mais de duas centenas de pessoas.

"França lamenta, profundamente, que Itália não tenha aceitado comportar-se como um Estado europeu responsável. (...) A gestão dos fluxos migratórios no Mediterrâneo é um problema europeu que nos toca a todos, e que requer uma resposta europeia".

Nas redes sociais, o eurodeputado italiano Nicola Danti afirmava que "anos de trabalho num sistema europeu de receção" de migrantes estão em risco "para alimentar a necessidade de propaganda do governo" e é "Itália que fica a perder".

O navio Humanity 1 era o único que permanecia no porto de Catânia à espera de autorização para desembarcar os 35 migrantes que permaneciam a bordo. A situação foi, entretanto, resolvida mas a organização não-governamental não aceita a forma como foi tratada pelas autoridades italianas e já foi apresentada, no tribunal de Catânia, uma queixa.

"O caso do Humanity 1 foi encerrado (...) com o desembarque de todos os migrantes, foi feita justiça" mas há algumas questões que permanecem sem resposta, entre elas o motivo pelo qual foi permitido o desembarque e se foi o governo ou os médicos que decidiram, explicava o advogado da ONG, que acrescentava que a batalha jurídica não se ficará por ali. O objetivo é evitar que aconteçam "outras situações semelhantes".