Academia Brasileira de Ciências pede a presidenciáveis 2% do PIB para ciência em até 4 anos

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 22.03.2022 - Entrevista com Helena Nader, atual presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC). (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 22.03.2022 - Entrevista com Helena Nader, atual presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC). (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A ABC (Academia Brasileira de Ciências) lançou nesta quinta-feira (23) um documento para os candidatos à Presidência da República. Nele os integrantes da entidade pedem que 2% do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil seja investidos em ciência e tecnologia nos próximos quatro anos. Além disso, eles pleiteiam que os investimentos em ciência e educação sejam de longo prazo.

"Ocorre que o país precisa de investimento em ciência, tecnologia e inovação. Isso não pode ser considerado gasto", afirmou Jailson Bittencourt de Andrade, vice-presidente da academia, no evento de lançamento da publicação, no Rio de Janeiro.

A entidade foi fundada em 1916 com o objetivo de reconhecer o mérito científico e auxiliar a promoção do desenvolvimento da ciência e da educação no Brasil.

Para Helena Nader, presidente da ABC, a meta é factível de ser alcançada, só depende das prioridades do país. Ela diz que, em alguns momentos, chegou-se a 1,5% do PIB do Brasil investido para ciência —hoje o patamar está em menos de 1%.

"Países conseguiram aumentar em muito menos tempo seu investimento em ciência", completa Nader.

Os participantes também chamaram atenção para a necessidade de o Brasil observar como outros países priorizam essa área de investimento. Para Luiz Davidovich, ex-presidente da ABC, o desenvolvimento de um país no mundo globalizado "deve ser comparado com o que acontece fora". "O Brasil está ficando para trás", afirmou.

Nader ainda criticou o teto de gastos que impede um maior investimento em educação e ciência no país. "Não vou julgar na área de economia porque não tenho esse conhecimento, mas colocar teto de gastos naquilo que é o futuro para a nação, na melhor das hipóteses, é uma aberração", disse.

No documento para os presidenciáveis, a ABC também chamou atenção para a necessidade de atualizar as bolsas de pós-graduação no Brasil. Pela Capes, mestrandos recebem R$ 1.500 por mês e doutorandos têm bolsa no valor de R$ 2.200. Esses valores são praticados desde 2013.

"Hoje as bolsas de mestrado e doutorado praticamente não estimulam mais os estudantes", afirmou Bittencourt. Assim, ele diz, uma das consequências desse cenário é a diminuição da procura por programas de pós-graduação.

Além do Executivo, é necessária uma maior atuação do Congresso Nacional em prol da área, afirmaram os participantes do evento. Bittencourt disse que o principal ponto é aumentar o diálogo com diferentes parlamentares, algo que melhorou nos últimos anos, para que haja uma maior presença da comunidade científica em audiências públicas.

"Algumas vitórias nós tivemos, e várias derrotas também. Continuaremos buscando diálogo com interlocutores [no Congresso]", completou.

CRISES NAS UNIVERSIDADES

Recentemente, o governo federal anunciou um novo corte no orçamento do Ministério da Educação, o que traz problemas para as universidades federais. Um exemplo é a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), que pode fechar as portas até agosto caso esse cenário se mantenha.

"É fundamental recuperar os orçamentos das universidades e é preciso que o governo federal valorize [essas instituições]", afirmou Bittencourt.

Segundo o documento lançado pela ABC, 90% das pesquisas realizadas no país se concentram nas universidades públicas, o que demonstra a importância dessas instituições.

O problema de verba para a educação, algo que já era sentido em anos anteriores, piorou recentemente. Davidovich cita que, em 2012, o investimento do governo federal em educação era de em torno de 19% do orçamento total. Em 2022, esse percentual caiu para 8%.

Nader destacou ainda que um dos objetivos da iniciativa da ABC aos presidenciáveis é indicar que a ciência precisa de um projeto que transcenda governos —e passe a ser uma política de Estado, a longo prazo.

"Nós não podemos ficar dependendo de quem tem caneta na mão. Política de Estado, é isso que queremos", afirmou.

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