Ação Lesa Pátria da PF acha novelo de financiadores extremistas. Faltam os mandantes

A Brazilian flag waves as seen behind broken glass at the Supreme Court building, following Brazil's anti-democratic riots, in Brasilia, Brazil, January 10, 2023. REUTERS/Ricardo Moraes
Rescaldos dos atos golpistas no dia 8 em Brasília. Foto: Ricardo Moraes/Reuters

A Polícia Federal desencadeou na manhã desta sexta-feira (20/01) a Operação Lesa Pátria, que visa a enquadrar os financiadores dos atos extremistas protagonizados em Brasília no dia 8 de janeiro.

O nome da ação é providencial.

Crimes de lesa pátria, como chamados antigamente, eram a tentativa de depor um governo constituído ou abolir o Estado democrático de Direito impedindo ou restringindo, com emprego da violência ou grave ameaça, o exercício dos poderes constitucionais. A pena mínima é de quatro anos de reclusão.

Desde 8 de janeiro, muitos dos extremistas que invadiram as sedes dos Três Poderes foram capturados no local do crime e levados para a prisão. Quase 40 já foram denunciados nas investigações sobre as depredações do Senado.

Cerca de 740 radicais seguem detidos – outros 345 foram liberados mediante aplicação de medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.

Os executores do crime, portanto, estão fichados.

Falta localizar o(s) mandante(s) os agentes de segurança que sabotaram os planos de defesa do patrimônio.

Alguns são acusados de estarem entre os manifestantes que defendiam a violência contra a instituição que deveriam proteger.

Ao menos oito militares da ativa lotados na Presidência da República durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) participaram de atos em acampamentos em frente ao quartel-general do Exército. Nesses locais a grave ameaça ao exercício dos poderes constitucionais era explícita.

Entre uma ponta e outra da tentativa de golpe de Estado estão personagens centrais: os financiadores dos atos.

Esses personagens, ou o que parecem ser os laranjas deles, ganharam rosto durante a operação da PF – a primeira de muitas que devem frequentar o noticiário daqui em diante.

Entre os alvos estão uma intérprete de libras, um influenciador, um ex-candidato a deputado pelo PL e um ex-funcionário terceirizado do gabinete da então ministra Damares Alves (Mulheres e Direitos Humanos).

Antes de ser detido, Renan da Silva Sena, o ex-empregado da Damares, já tinha virado notícia em 2020, quando agrediu, com cusparadas, duas enfermeiras que defendiam isolamento social em Brasília no início da pandemia da Covid-19.

O barril de ódio alimentado por esse tipo de gente estava na tampa e só precisaram de uma fagulha para explodir como explodiram no dia 8.

Segundo a PF, 16 mandados de busca e apreensão foram determinados pelo STF. De acordo com a corporação, os fatos investigados constituem, em tese, os crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa, incitação ao crime, destruição e deterioração ou inutilização de bem especialmente protegido.

Quem consegue ligar lé com cré não precisa de muito esforço para concluir que Soraia Bacciotti, a intérprete, e Ramiro Caminhoneiro, um agitador, embora perigosos, sejam só peixes pequenos dessa história.

O rosto dos mandantes precisa ser revelado, embora meio mundo já saiba quem são os animais fantásticos e onde habitam.