Com cartazes segregacionistas, ação pedagógica pelo dia da Consciência Negra em escola causa polêmica

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Ação pedagógica fixou cartazes propondo a segregação entre pessoas brancas, pardas e negras em escola de Hortolândia. Secretaria de Educação de SP alegou que a comunidade escolar tinha ciência da atividade pedagógica e que em nenhum momento houve, de fato, a segregação proposta. Foto: Reprodução/Instagram
Ação pedagógica fixou cartazes propondo a segregação entre pessoas brancas, pardas e negras em escola de Hortolândia. Secretaria de Educação de SP alegou que a comunidade escolar tinha ciência da atividade pedagógica e que em nenhum momento houve, de fato, a segregação proposta. (Foto: Reprodução/Instagram/RafaZimbaldi)

Uma ação pedagógica em uma escola estadual de Hortolândia, interior de São Paulo, causou polêmica ao fixar cartazes propondo a segregação de bebedouros e mictórios nos banheiros entre pessoas negras, pardas e brancas. 

Os avisos definiam quais torneiras devem ser usadas por pessoas negras e quais são de uso exclusivo de pessoas brancas e de pessoas pardas. No pé dos cartazes, havia a observação de que "a desobediência civil" seria passível de "punição com multa ou encarceramento". 

Apesar dos avisos, em nenhum momento houve qualquer tipo de segregação ou impedimento de utilização por parte dos alunos, professores e funcionários. A intervenção proposta, segundo a Secretaria de Educação do Estado, era de conhecimento da comunidade escolar. 

A atividade foi apenas visual, durou apenas um dia e já foi retirada pela direção da escola. 

Mesmo assim, vídeos com os cartazes foram postados e denunciados pelo deputado estadual Rafael Zimbaldi (PL-SP). O parlamentar afirmou que encaminhou um ofício a Secretaria de Educação do Estado pedindo apuração do caso.

“É inaceitável que nos tempos atuais exista o racismo e ainda mais uma cena de segregação racial como essa em uma escola pública estadual em Hortolândia. Recebi a denúncia hoje e me revoltei. Isso não pode ficar assim! É claro que já enviei um ofício para a Secretaria de Educação do Estado para que o caso seja apurado”, escreveu o deputado.

Zimbaldi relatou que entrou em contato com a direção da Escola Estadual Professora Maria Antonietta Garnero La Fortezza e foi atendido pela professora e vice-diretora Ana Cristina, a qual teria informado que se tratava de “uma ação pedagógica para o Dia da Consciência Negra”, a ser celebrado no próximo dia 20.

“Isso é também um absurdo porque existem outras formas de abordar este tema tão sério e não simplesmente desconectado como foi apresentado”, avaliou. “Independentemente de ser uma campanha, a ação chocou as pessoas. Uma delas gravou vídeo e fez fotos que mostram cartazes com as frases: Mictório de uso exclusivo somente para pessoas negras, Mictório de uso exclusivo somente para pessoas negras, Bebedouro de uso exclusivo para pessoas brancas e Bebedouro de uso exclusivo para pessoas negras”.

Contatadas pela reportagem, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo disse que os cartazes tinham intuito de "simular sinalizações reais que já existiram em momentos da história". 

Confira a íntegra da nota da Seduc-SP:

"A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) esclarece que, por conta da Semana da Consciência Negra, as escolas têm desenvolvido projetos extracurriculares que proporcionam a inclusão de temas sociais históricos e instigam a reflexão sobre a pauta.

Os cartazes em questão, expostos na EE Maria Antonietta Garnero la Fortezza, tinham o intuito de simular sinalizações reais que já existiram em momentos da história, em locais onde a segregação era autorizada por lei.

Ainda cabe esclarecer que os estudantes, professores e comunidade escolar estavam cientes da intervenção. Em nenhum momento existiram tais regras, e os alunos não deveriam obedecer aos dizeres. A atividade foi apenas visual, durou apenas um dia e já foi retirada pela direção.

Nesta sexta-feira (19) a unidade dará continuidade às ações da Semana da Consciência Negra com duas palestras para os estudantes e comunidade escolar.

Cabe reforçar que a Seduc-SP repudia qualquer forma de violência física e moral, preconceito ou discriminação racial, e atua de forma assertiva na formação de professores da rede para coibir o racismo estrutural."

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