Ação policial poderia ter terminado em tragédia na escola

Ação policial poderia ter terminado em tragédia na escola

Na última sexta-feira (5), a cena em que um policial militar agride uma aluna da Escola Estadual Professor Frederico Brotero com o cano de uma arma viralizou nas redes sociais e gerou revolta de muitas pessoas. Após assistir ao vídeo que mostra a ação da corporação, o governador João Doria (PSDB) determinou o afastamento do PM que não teve o nome divulgado.

Porém, o que se sabe até agora sobre essa ação que poderia ter terminado em tragédia? Na noite de quinta-feira (4), a polícia foi chamada por volta das 19h30 pelo diretor da instituição, o senhor José Maria Stanzani. Ele queria que os agentes acabassem com um protesto de estudantes que exigiam melhorias na unidade de ensino.

De acordo com o que professor Ivan Canoletto, militante do PSOL em Guarulhos, região onde fica a escola, disse ao blog, os alunos já tinham feito algumas manifestações no local. O motivo dos protestos seriam a falta de professores, materiais e alguns posicionamentos do diretor da unidade.

Segundo Ivan, alguns alunos da escola trabalham durante o dia e não conseguem chegar no horário em que começam as aulas. A diretoria, no entanto, não quer permitir a entrada dos jovens depois das 19h. “Isso dificulta muito que eles tenham acesso à escola”, diz o educador que esteve com dois alunos que foram detidos no 1DP (Distrito Policial) de Guarulhos depois da ação policial.

De acordo com Ivan, os meninos menores de idade foram apreendidos sob acusação de ameaça. “Os próprios policiais admitiram que não havia flagrante de delito algum, e que só conduziram os estudantes a pedido do diretor”, afirmou o professor. No dia seguinte, os meninos foram liberados. Na saída dos jovens, colegas esperavam por eles na porta da Vara da Infância e Juventudes e os receberam com abraços, choros e gritos.

Um jovem que estuda na escola afirmou que os alunos já foram agredidos verbalmente e fisicamente por policiais na última quarta-feira (3). “Eu sai do meu serviço para ir para a escola, cheguei na escola e fui humilhado, levei tapa na cara encostado no portão na escola. Coisa que eu não deveria ter passado”, disse o aluno.

Uma outra aluna relatou que muitos estudantes são os que sustentam suas casas e que, por isso, não podem estudar no período da manhã. Segundo ela, se os estudantes chegam dois minutos atrasados, já são impedidos de entrar na instituição. “Nós somos alunos do bem e nós queremos nosso direito de estudar”, disse a menina.

Ainda na sexta-feira, o PSOL e o mandato da Bancada Ativista na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), juntamente com Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) de Guarulhos e Sinpro (Sindicato dos Professores e Professoras) de Guarulhos, protocolaram uma denúncia a respeito do caso no MP-SP (Ministério Público de São Paulo) para que sejam apuradas as ações que resultaram nas cenas de violência.

Tem sugestões ou denúncias? Mande um e-mail para giorgia.cavicchioli@gmail.com.