Aceno de Bolsonaro a militares dependerá de funções de Braga Netto na Casa Civil

Miguel Caballero

Precedido pela entrega ao vice-presidente Hamilton Mourão do comando do Conselho da Amazônia, o convite ao general Walter Braga Netto para assumir a Casa Civil reforça uma inflexão de Jair Bolsonaro aos militares. Mas ainda é preciso esperar sinais de que a mudança terá efeito prático, para além de passar a imagem da reaproximação com as Forças Armadas.

Antes de perder a caneta de chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni foi desprovido da tinta. Seu cargo perdeu em sequência as principais atribuições: a articulação política com o Congresso, o comando do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) e a Subchefia de Assuntos Jurídicos (SAJ) da Presidência. Políticos diziam que ao ministro restaram apenas a cadeira e a mesa. Se o cargo se mantiver assim com Braga Netto, sua escolha valerá apenas por ela mesma e sua repercussão, sem maiores consequências.

Braga Netto comandou a intervenção federal no Rio em 2018. Fez um trabalho considerado bem-sucedido por boa parte dos especialistas e dos servidores estaduais da área. Indicadores importantes de violência - à exceção da letalidade policial - melhoraram, e houve legado físico devido ao maior investimentos federal no estado. Atual comandante do Estado-Maior do Exército, é um nome que ajuda a reconstruir pontes entre o presidente e as Forças.

Ex-militar com histórico de insubordinação, Bolsonaro superou a resistência no alto comando das Forças Armadas com seu desempenho eleitoral. Passada a campanha, a expectativa de que o núcleo militar pudesse de alguma forma tutelar arroubos do futuro presidente não se confirmou. O ano de 2019 foi marcado pelo distanciamento entre o presidente e os generais, vários deles demitidos do governo. A principal queda foi a de Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-secretário de Governo e apontado como o militar com maior currículo e mais admiração interna no Exército, ferida que Bolsonaro parece tentar fechar.