Acertos entre partidos em 2022 criam pendências e promessas até 2026 em SP

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*Arquivo* SÃO PAULO, SP, 30.04.2022 - Guilherme Boulos (PSOL), que desistiu de concorrer ao Palácio dos Bandeirantes para apoiar Fernando Haddad. (Foto: Bruno Santos/Folhapress)
*Arquivo* SÃO PAULO, SP, 30.04.2022 - Guilherme Boulos (PSOL), que desistiu de concorrer ao Palácio dos Bandeirantes para apoiar Fernando Haddad. (Foto: Bruno Santos/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As negociações dos partidos em torno da eleição para o Governo de São Paulo já miram costuras e apoios para os próximos pleitos -tanto a esquerda quanto a direita devem encarar em 2024 e 2026 pendências e faturas geradas na corrida deste ano.

Os três principais candidatos, Fernando Haddad (PT), Rodrigo Garcia (PSDB) e Tarcísio de Freitas (Republicanos), buscaram formar coligações amplas, o que implica lidar com exigências dos aliados agora e no futuro.

A eleição para a Prefeitura de São Paulo de 2024, por exemplo, teve seu desenho influenciado pelo acordo entre PT e PSOL, no qual Guilherme Boulos (PSOL) desistiu de concorrer ao Palácio dos Bandeirantes para apoiar Haddad. O PT, em troca, prometeu apoiá-lo no pleito municipal daqui a dois anos.

Já a disputa para o governo em 2026 começou a ganhar corpo desde agora entre tucanos e aliados pelo fato de que Rodrigo, se vencer, não poderá concorrer novamente, o que abre espaço pela sua sucessão e afeta a escolha de seu candidato a vice neste pleito.

No caso de Tarcísio e da direita bolsonarista, a preparação para as eleições futuras depende diretamente dos resultados de 2022, o que também vale para os demais campos políticos.

De modo geral, dirigentes de diferentes siglas consultados pela reportagem afirmam ser preciso esperar a definição de vencedores e perdedores deste ano para definir estratégias para 2024 e 2026, já que o contexto importa e muda a depender de uma vitória de Lula (PT) ou Jair Bolsonaro (PL).

Mas eles também admitem que o xadrez das eleições posteriores é considerado no cálculo atual o tanto quanto for possível.

De qualquer forma, as federações, arranjo entre partidos que é uma novidade deste ano, afetam diretamente os próximos pleitos em todos os estados e cidades.

A federação é uma coligação entre partidos que vale por quatro anos obrigatoriamente, o que significa que partidos federados terão de lançar um mesmo candidato em todos os lugares em que concorrerem.

Como a corrida paulista é tida como um jogo em aberto neste momento, há cautela das três campanhas em ressaltar que o foco é, antes de mais nada, vencer em 2022 e que é cedo para pensar em perspectivas futuras.

A união da centro-esquerda (PT, PSOL, PSB, Rede, PV e PC do B) em torno de Haddad vista neste ano não ocorreu em 2020 e é uma incerteza para 2024.

Apesar de PT e PSOL terem formado um pacto com duração de duas eleições, o PSB, que integra a coligação do petista e estará em seu governo em caso de vitória, deve lançar Tabata Amaral (PSB) em 2024.

Dirigentes do PSB afirmam que o compromisso com o PT só abrange a eleição de 2022. O projeto Tabata já começou a ser construído com a escolha da deputada para assumir o comando do diretório municipal do partido neste ano.

Em busca da máquina de governo e de projeção em caso de vitória de Haddad, PSOL e PSB também miram a vice do petista, com Juliano Medeiros (PSOL) e Jonas Donizette (PSB). Marina Silva (Rede), por sua vez, é vista como uma vice que agrega votos.

Em 2020, os partidos em torno de Haddad concorreram de forma fragmentada com Boulos, Jilmar Tatto (PT), Márcio França (PSB), Orlando Silva (PC do B) e Marina Helou (Rede).

O PT resistiu a abrir mão da candidatura para apoiar Boulos apesar do favoritismo do PSOL, que chegou ao segundo turno e perdeu para Bruno Covas (PSDB) por 59,4% a 40,6%.

Para evitar a divisão interna em 2024, o PSOL fechou o acordo com o PT e quer também abrir um diálogo com Tabata no futuro. O partido dá como certa a aliança com os petistas, já que o apoio foi verbalizado publicamente por Haddad.

As federações acertadas neste ano também impedem uma divisão como a vista em 2020 -PT, PC do B e PV estão amarrados até 2026, assim como Rede e PSOL.

Do outro lado, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) deve concorrer à reeleição, e a tendência é de que o PSDB o apoie. Os tucanos, contudo, exigem espaço no governo e chances de vitória ou podem apresentar outros nomes.

A chapa Covas-Nunes de 2020 foi costurada por um grupo político que reúne PSDB, MDB e União Brasil -trio que pretende manter a união em 2022, 2024 e 2026.

Mas não será tarefa fácil. MDB e União Brasil, por exemplo, que lançaram diferentes candidatos à Presidência, Simone Tebet e Luciano Bivar respectivamente, agora disputam a vaga de vice do tucano Rodrigo.

Além de Rodrigo e Nunes, a condução política do grupo envolve caciques como João Doria (PSDB), Baleia Rossi (MDB) e Milton Leite (União Brasil).

A coligação tem ainda Cidadania (em federação com o PSDB), PP, Podemos, Solidariedade, Patri, Pros e Avante.

Em caso de vitória, a expectativa é a de que Rodrigo deixe o posto em abril de 2026 para disputar a Presidência ou o Senado, abrindo espaço para o vice assumir e concorrer à reeleição com a máquina na mão -situação que o tucano vive agora.

Por isso, a vice é almejada por MDB e União Brasil, enquanto o PSDB, por sua vez, também quer se apresentar para a eleição de 2026 com um nome próprio para manter a hegemonia no estado.

De acordo com aliados de Rodrigo, duas estratégias estão em curso para barrar uma disputa interna que ameace a união do bloco nesta ou nas duas próximas eleições.

A primeira é pactuar um entendimento de que o vice a ser escolhido não seria necessariamente o candidato do grupo para 2026 e que isso seria acertado adiante, conforme a conveniência para uma candidatura presidencial de Rodrigo.

A segunda é escolher para o posto alguém neutro, ou seja, sem a ambição de ser governador e com idade mais avançada, a exemplo de Alberto Goldman e Cláudio Lembo. É nesse contexto que os nomes de Henrique Meirelles e Claudio Lottenberg, ambos da União Brasil, são aventados.

Na prática, porém, aliados de Rodrigo consideram difícil barrar a competição interna pela sucessão e veem qualquer vice como um candidato natural daqui a quatro anos.

Tucanos preocupados com a disputa avaliam ser melhor escolher um vice, ou uma vice preferencialmente, que traga novos eleitores, ainda que isso embaralhe o jogo de 2026.

Entre bolsonaristas, o entendimento é o de que Tarcísio se cacifa para suceder Bolsonaro na Presidência em 2026 caso ambos sejam vitoriosos.

Se o presidente perder, é ele próprio que deve representar seu campo político daqui a quatro anos. Nesse caso, caberia a Tarcísio, se tiver vencido, buscar a reeleição ou rivalizar com Bolsonaro pela candidatura presidencial.

No Republicanos, existe a expectativa de que uma vitória fortaleça o partido para a eleição de 2024 e 2026, mas os dirigentes evitam traçar planos. A coligação tem ainda PSD, PL, PSC e PTB.

Há dúvida se a fórmula de 2020 com Celso Russomanno (Republicanos) irá se repetir. Além de cair nas pesquisas e terminar fora do segundo turno, como ocorreu em eleições anteriores, Russomanno ainda teve a identificação com o bolsonarismo como um obstáculo há dois anos.

Políticos bolsonaristas de São Paulo, porém, veem um vácuo para a eleição de 2024, já que os nomes mais competitivos são ligados ao interior.

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