'Achamos que já tínhamos falado o suficiente sobre a Colômbia. Decidimos: Vamos para o México', diz produtor de “Narcos: México”

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A estreia da terceira e última temporada de “Narcos: México”, cujos dez episódios acabam de entrar na Netflix, marca o encerramento de uma das mais bem-sucedidas franquias sobre a guerra ao narcotráfico nas Américas da era do streaming. Por trás do sucesso do programa está o americano Chris Brancato, o roteirista e produtor que caiu de paraquedas na gestação do produto que lhe deu origem, a série “Narcos”, que, lançada em 2015, recriava a trajetória do traficante Pablo Escobar e o início dos cartéis colombianos.

Derivada do seriado protagonizado pelo brasileiro Wagner Moura, “Narcos: México” se debruça sobre a cena do tráfico mexicano nos anos 1980, a partir da ascensão e queda do traficante Felix Gallardo (Diego Luna). A terceira temporada é ambientada nos anos 1990, e descreve a disputa pelos fragmentos do império construído por Gallardo na década anterior. A ideia de explorar a conexão mexicana do tráfico latino-americano nasceu de uma reviravolta de trama no final da terceira e derradeira temporada de “Narcos”, que traçava as origens do braço do tráfico de cocaína em Cáli.

— “Narcos” teria uma quarta temporada, ainda sobre cartel de Cáli. Mas, no final das contas, achamos que já tínhamos falado o suficiente sobre a Colômbia. Decidimos: “Vamos para o México!”. Criamos um spin off — disse Brancato, 59 anos, durante o Iberséries Platino Indústria, em Madri, no início de outubro, onde deu uma masterclass. — Minha ideia era começar a primeira temporada de “Narcos” com Escobar já um traficante bem-sucedido. Mas o José Padilha, meu parceiro na série, disse: “Eu não conheço o Escobar. Vamos começar lá atrás, quando ele era apenas um contrabandista”. Concordei, fazia sentido.

Brancato explica que é comum que alterações como esta sejam feitas pelo time de criação de uma série. Algo que aconteceu também na cronologia da produção original, inteiramente filmada em locações na Colômbia. Era a primeira produção de grande escopo de Chris Brancato como showrunner — figura que acumula as funções de produtor e escritor de um programa de TV —, que vinha de uma sequência de contribuições com equipes de roteiro de seriados de grande popularidade dentro e fora dos Estados Unidos, como “Barrados no baile”, “Arquivo X”, “Lei e ordem” e “Hannibal”, entre outros.

— Quando entrei em “Narcos”, já havia algum trabalho feito antes da minha chegada. O plano original era terminar a primeira temporada quando Escobar fosse preso. Mas o que eu achava interessante sobre aquele momento da trajetória dele era o fato de ele ter feito um acordo com o governo colombiano para construir seu próprio presídio, e contratar todo o pessoal que o administrava. Era um cárcere doméstico — lembrou Brancato. — De cara, decidi terminar a temporada com a fuga da prisão que ele mesmo havia criado.

Para Brancato, também em cartaz no Brasil com a segunda temporada da série “Godfather of Harlem” (Star Premium), as novas tecnologias, como a entrada das plataformas digitais, afetaram profundamente o modo como consumimos audiovisual. Para o showrunner, a multiplicação de telas e a facilidade de acesso a elas, via internet, sofisticou o paladar do espectador.

— Um dos maiores benefícios trazidos pelo streaming foi a democratização. Nunca antes tivemos tanto acesso. Hoje conheço shows como (o espanhol) “A casa de papel”, (o francês) “Le bureau des legendes”, (o isralense) “Jornada de heróis”. Ontem mesmo, assisti à série coreana incrível “Squid game” (“Round 6”, no Brasil) — exaltou o americano. — Isso é benéfico para os negócios, mas não quer dizer que está mais fácil criar programas: temos que criar personagens que o espectador queira convidar para dentro de sua casa.

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