'Acho difícil ver esse dinheiro de novo', diz uma das três mil vítimas da JJ Invest

Raphaela Ribas
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Reprodução da internet
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RIO - A prisão nesta manhã de Jonas Jaimovick, dono da JJ Invest, que sumiu com mais de R$ 170 milhões de investidores, não aumenta a esperança das vítimas de recuperar o dinheiro investido. Segundo investigações da Polícia Civil, mais de três mil pessoas foram lesadas num esquema fraudulento que prometia ganhos acima de 10% mensais.

- Acho difícil ver esse dinheiro de novo. A não ser que a Justiça encontre o dinheiro, porque em algum lugar essa quantia toda está – diz o carioca Carlos Alberto, um dos clientes lesados pela JJ Invest, que não quis informar seu sobrenome.

Jaimovick foi preso, na Barra da Tijuca, mais de um ano após a Justiça decretar a sua prisão. Ele estava foragido, e os clientes sem notícias. O empresário desapareceu em fevereiro de 2019, deixando milhares de vítimas, entre elas celebridades, após reportagens do GLOBO mostrarem que a empresa era investigada pela Polícia Federal e pela própria Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Para se manterem informados, as vítimas do golpe criaram grupos de WhatsApp.

- Quando soube do golpe, no ano passado, fui à porta do escritório dele em Copacabana. Tinham várias pessoas lá. Uma viúva estava desesperada porque tinha investido todo o dinheiro que o marido havia deixado. Havia ainda dois outros clientes que vieram de Fortaleza porque fizeram altos investimentos – conta Carlos Alberto.

Apesar de arriscado, uma vez que alguns clientes nem tinham contrato assinado, a promessa de retorno alto, acima do praticado pelo mercado, atraiu muitos investidores.

Também pesou na decisão de muitas vítimas a indicação de amigos e a publicação de fotos de Jaimovick com figuras públicas. Isso ajudava na imagem de suposta credibilidade da empresa.

Entre os clientes do esquema estão atletas e celebridades como Zico e Júnior e membros da comunidade judaica carioca, da qual Jaimovick fazia parte.

- Ele era simpático e tinham essas pessoas ao redor dele que passavam credibilidade. Achamos que estávamos investindo na Bolsa. Tentei contato algumas vezes e uma só ele me respondeu dizendo que resolveria a situação toda. Fomos acreditando e, de repente, ele sumiu. Soube de uma pessoa que levou ele na marra ao banco para sacar – conta o investidor enganado.

Carlos Alberto, acrescenta:

- Quero que me devolva apenas o que investi. Já estarei satisfeito. Ele foi preso, mas o dinheiro está em algum lugar.