Primeiro cardeal da história a renunciar por abusos morre na Escócia

Edimburgo (R.Unido), 19 mar (EFE).- O ex-chefe da Igreja Católica da Escócia Keith O'Brien, que em 2013 renunciou após ser alvo de várias acusações de assédio sexual cometidos nos anos 80, morreu nesta segunda-feira em Newcastle aos 80 anos.

O'Brien entrará para a história como o primeiro cardeal a renunciar ao cargo por um escândalo de abusos sexuais na Igreja Católica.

Em 2013, O'Brien já havia renunciado como arcebispo de Saint Andrews e Edimburgo, depois que três sacerdotes e um ex-sacerdote denunciaram publicamente que tinham sido acossados sexualmente.

Inicialmente O'Brien negou as acusações, mas depois, sob pressão do Vaticano, foi obrigado a pedir desculpas e afirmou que sua conduta sexual não era o que esperavam dele.

Este caso, que foi revelado às vésperas do conclave no qual foi eleito o Papa Francisco, suscitou muita polêmica ao evidenciar a dupla moralidade do ex-arcebispo que, em suas homilias, lançava mensagens contra o homossexualismo.

O papa aceitou a renúncia e declarou que O'Brien ficaria afastado como conselheiro papal, não faria parte de futuras eleições papais e nem tomaria parte em congregações e conselhos vaticanos.

A saúde de O'Brien tinha se deteriorado no mês passado, quando sofreu uma queda na qual rompeu a clavícula e lesionou a cabeça no asilo de idosos de Newscastle (Inglaterra), onde residia.

O'Brien nasceu em 1938 na pequena população de Ballycastle, na Irlanda do Norte, mas foi educado na Escócia, primeiro na Universidade de Edimburgo e depois no St Andrew's College, após o qual se ordenou sacerdote 1965.

Vinte anos depois foi nomado arcebispo de St Andrews e Edimburgo até que em 2003 foi nomado cardeal pelo papa João Paulo II. EFE