Acidente em Capitólio: Todos os sete mortos e três desaparecidos estavam em lancha chamada 'Jesus'

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RIO - As sete vítimas fatais e os três desaparecidos após queda de um paredão de cânion no lago de Furnas em Capitólio, Minas Gerais, neste sábado, estavam em uma lancha chamada "Jesus". Ao todo, quatro embarcações foram atingidas direta ou indiretamente pelo desabamento, que deixou mais de 30 feridos.

Inicialmente, foi informado que havia 20 desaparecidos, mas o número foi atualizado para três na noite deste sábado. Isso porque parte das vítimas estava sem contato e foi por conta própria a hospitais da região. Segundo a corporação, 27 pessoas já foram atendidas em unidades de saúde e liberadas.

As buscas na água por desaparecidos foram suspensas durante esta noite por razões de visibilidade e segurança e serão retomadas na manhã deste domingo. Os mergulhos na região estavam previstos para iniciar por volta das 6h, segundo os Bombeiros. Cerca de 40 militares atuam nos resgates.

— Tanto as sete vítimas como esses três desaparecidos estavam na lancha de nome Jesus, que foi uma das quatro lanchas impactadas pelo desprendimento da rocha. Nas outras três lanchas, todas as vítimas já foram resgatadas e conduzidas para unidades hospitalares da região. A maior parte dessas vítimas já recebeu alta, e o Corpo de Bombeiros permanece no local até que todas as vítimas possam ser resgatadas — disse o tenente Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.

Em um vídeo que circula nas redes sociais, é possível ver o momento em que um dos cânions cede e atinge as embarcações. Duas delas, de nome EDL e Jesus, sofreram impacto direto. Delas, foram resgatadas ao todo 24 pessoas com vida. Em outras duas lanchas atingidas indiretamente, foram socorridas no total 18 tripulantes.

Imagens gravadas mostram as embarcações fugindo do local após o desabamento. Nas filmagens, consegue-se ouvir gritos e o desespero das pessoas.

A Marinha comunicou que vai abrir um inquérito para apurar as causas e circunstâncias do acidente. A Polícia Civil também investiga o caso. Inicialmente foi informado que uma tromba d'água provocou a queda de pedras que atingiram lanchas que estavam na região. Antes, a Defesa Civil já havia advertido para a ocorrência de chuvas intensas.

Proximidade a paredão deve ser evitada

A proximidade dos turistas em relação aos cânions ainda é uma das questões a ser apurada. Os bombeiros disseram que cabe a Marinha informar se os turistas poderiam estar no local. Especialistas advertiram que, em locais com essas formações rochosas, deve-se evitar a aproximação do paredão e, em caso de chuva, as atividades têm de ser suspensas.

— É recomendável, por exemplo, se criar uma área de segurança, considerando a própria altura da encosta, para evitar que os turistas se aproximem e mantenham uma distância segura em caso de tombamento — disse Edilson Pizzato, professor do Instituto de Geociências da USP.

O prefeito de Capitólio, Cristiano Silva, afirmou em entrevista à GloboNews que não há norma que impeça as lanchas de estar naquele local, próximas do paredão. Segundo ele, não pode, no entanto, atracar no cânion para que os banhistas entrem na água. Os mergulhos na região são liberados apenas nos pontos onde há os chamados bares flutuantes.

O Lago de Furnas, com mais de 1.400 quilômetros quadrados de área, atrai vários turistas que buscam passeios de lancha e mergulhos na região, cercada por cachoeiras e cânions formados por rochas com mais de 20 metros de altura. Lanchas podem ser alugadas por cerca de R$ 2.000 para grupos de oito a dez pessoas. Agências de turismo também oferecem opções de passeios em embarcações guiadas. Em geral, eles duram entre três a sete horas. O local é visado sobretudo por turistas do estado São Paulo e da capital mineira.

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