Turistas do mundo todo aguardam início da Semana Santa em Jerusalém

Patricia Martínez.

Jerusalém, 24 mar (EFE).- As vielas da Cidade Velha de Jerusalém, lugar sagrado para judeus, cristãos e muçulmanos, já está com o clima cosmopolita que todos os anos antecipa a chegada da Semana Santa, celebrada por milhares de turistas e peregrinos.

Dentro da Basílica do Santo Sepulcro, centenas de pessoas, vindas de diversos países, como Coreia do Sul, Bolívia e Rússia, tentam driblar a multidão para tocar, beijar ou esfregar um lencinho sobre a pedra que recria a sepultura de Jesus.

Do lado de fora, outras centenas descansam nas escadas que rodeiam o templo, ocupando os minúsculos resquícios de sombra, em um mês especialmente quente para quem se propõe a refazer a pé as 14 estações da Via Crúcis.

A maioria destes visitantes chega a Jerusalém em grupos organizados (85,7%, segundo dados de 2017) e passa a noite em hotéis ou em centros como o Notre Dame, considerado a maior casa de peregrinos da Igreja Católica na Terra Santa.

"Tem gente dos Estados Unidos, da Itália e da Alemanha, por exemplo. É, literalmente, um pouco de tudo. Às vezes eu preciso pegar o mapa-múndi e procurar o país porque nunca ouvi falar", contou à Agência Efe o padre mexicano Juan Solana, diretor do Notre Dame desde 2004.

De acordo com dados oficiais, mais de 3,5 milhões de turistas visitaram Israel em 2017 e cerca de 1,5 milhão eram católicos, ortodoxos ou protestantes.

A Cidade Velha, que abriga os lugares sagrados e os principais pontos de interesse dos viajantes, fica no local que a comunidade internacional considera território palestino ocupado, mas onde Israel exerce soberania.

No ano passado, 350 mil turistas visitaram o país durante o mês de abril, quase 100 mil a mais do que em 2016, conforme dados do Escritório de Turismo.

A expectativa é de que este ano esse número aumente de novo (os primeiros meses já foram estatisticamente melhores do que os primeiros de 2017).

"A Semana Santa em Jerusalém é absolutamente extraordinária. Se você comparar com outros lugares, talvez não tenha a mesma beleza extrema, mas foi aqui que os fatos aconteceram", disse o religioso.

É em Jerusalém que ocorre a maior e mais alegre procissão da época. Depois de uma missa em Betfagé - onde, segundo as escrituras, os discípulos trouxeram um burrinho para Jesus usar para entrar em Jerusalém - milhares de pessoas descem o Monte das Oliveiras carregando raminhos e entoando cânticos, até chegar à Igreja de Santa Ana, dentro das muralhas.

"Espiritualmente falando, valorizo cada vez mais viver a Páscoa aqui. Se algum dia, pelas razões que forem, eu tiver que ir embora, vou sentir muita falta. Por outro lado, para nós que vivemos o turismo espiritual significa muito trabalho, mas sinto uma espécie de solidariedade, porque quando alguém vem buscando algo e você ajuda a encontrar é um momento muito especial", contou o diretor.

"É muito gratificante ver uma pessoa experimentando a Semana Santa aqui", concluiu, admitindo que adora organizar as vivências e visitas guiadas pelos lugares que fizeram parte da vida de Jesus e que dão ainda mais significado a esse lugar. EFE