Acidente no metrô: escada rolante teria mudado de direção, segundo passageiros; concessionária nega

Os passageiros que faziam a baldeação — que fora dos dias úteis é obrigatória — entre as linhas 1 e 2 do metrô nesta manhã no Estácio, bairro na região central do Rio, viveram momentos de pânico na escada rolante da estação, que liga as plataformas, localizadas em pavimentos diferentes. As pessoas caíram umas por cima das outras e, segundo os acidentados, após esse primeiro momento, o equipamento parou. Em seguida, rapidamente voltou a funcionar, só que na direção contrária, explica quem estava no local. Por volta das 9h, o MetrôRio afirmou ter ocorrido uma "falha no equipamento", no entanto, duas horas depois, a concessionária divulgou uma nota voltando atrás. Informou que, após a inspeção, a empresa "esclarece que não houve mudança de sentido na escada rolante" e que, por medida de segurança, ela "para automaticamente".

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As plataformas são localizadas em pavimentos diferentes: o de baixo recebe passageiros vindos da Pavuna, na linha 2; enquanto o de cima atende a linha 1, que opera entre as estações Uruguai, na Tijuca, e Jardim oceânico, na Barra da Tijuca, sendo a única a chegar ao Centro e à Zona Sul fora dos dias úteis, motivo que atraiu trabalhadores e também pessoas de folga, rumo a museus e às praias, nesta sexta-feira que é feriado municipal no Rio de Janeiro, dia de São Sebastião, padroeiro da cidade.

Isabel Cristina Nascimento mora em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, município vizinho à Pavuna, na Zona Norte carioca, e pega o metrô diariamente para chegar ao trabalho, na Zona Sul.

Ela conta que desembarcou na estação Estácio e acessou a escada rolante para chegar à plataforma da linha 1, para dar continuidade à viagem, quando tudo aconteceu:

— Só vi as pessoas gritando, enquanto outras caíam (umas) por cima das outras. A escada parou e voltou. Caí e fui sendo pisoteada, assim como quem estava do meu lado. Quando eu cheguei lá embaixo, alguém me puxou, me arrastando, mas eu não conseguia ficar de pé, porque a dor era muito forte — conta Isabel, que recebeu alta do Hospital municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio, pouco antes das 14h, aos prantos, pois ainda sentia dores.

— Está doendo muito: doem o peito, as costas. Estou com as pernas e as costas arranhadas pela escada rolante — completou. Ela explica que foi colocada dentro de uma composição do metrô, só que, devido as dores, não conseguia se levantar. Foi preciso pedir ajuda, quando foi atendida por funcionários do metrô na estação do Largo da Carioca, no Centro, de onde foi transferida para o hospital.

Já Cláudio Vieira Pires estava aguardando o metrô na plataforma quando se machucou:

— A escada rolante voltou pra trás. Fez aquele barulho enorme, parecia que um trem tinha descarrilhado. O acontecido foi na escada rolante. Eu já estava lá embaixo e vi o pessoal caindo da escada. Ao mesmo tempo, as pessoas se desesperaram, não tinham para onde correr porque a estação estava lotada. Fiquei acuado numa lixeira e cai. Foi quando começaram a pisar por cima de mim.

Cláudio trabalha em um prédio próximo à Central do Brasil, onde fez plantão de madrugada e, por isso, viajava no contra-fluxo: aguardava um metrô da linha 2, após ter feito baldeação no Estácio. Ele também reclamou do atendimento que recebeu na estação.

— Levaram a gente para uma sala que parecia um quartinho de ferramenta, como se quisessem esconder a gente. Como uma estação daquele tamanho não tinha um espaço adequado para nos atender? Quando eu vi várias pessoas chegando com gravidade, a primeira coisa que fiz foi ligar para o Samu — explica Cláudio, que foi o penúltimo passageiro a deixar a estação do Estácio de ambulância.

Com os exames de raio-x em mãos, Cláudio recebeu alta do Souza Aguiar no início da tarde e caminhava devagar, pois, segundo ele, teve "pequenas fraturas no joelho e na coluna".

Inicialmente, o MetrôRio informou que "houve uma falha em equipamento de mobilidade na Estação Estácio". No fim da manhã, a concessionária atualizou a explicação sobre o local do acidente, em que "esclarece que o aparelho de mobilidade foi minuciosamente inspecionado e que não houve falhas no seu funcionamento, diferentemente do que foi divulgado mais cedo. Até o momento, a informação é de que passageiros tentaram utilizar a escada rolante de subida para descer, o que provocou tumulto e quedas".

Questionada sobre a mudança na direção do equipamento, a concessionária MetrôRio informa que "não houve mudança de sentido na escada rolante" e que, por medida de segurança, "a escada rolante para automaticamente". Além disso, a empresa também explicou que "realiza programação de efetivo de acordo com o fluxo de passageiros", citando a Estação Estácio, destino de um "fluxo maior de clientes da linha 2 fazendo transferência" entre composições. "Em casos pontuais, como o ocorrido na manhã desta sexta-feira, foi deslocada uma equipe extra para fazer o primeiro atendimento aos clientes. A concessionária também acionou o SAMU e o Corpo de Bombeiros."

Segundo o Samu, 25 vítimas foram atendidas e transferidas para hospitais após o acidente. Já a Secretaria municipal de Saúde, em nota atualizada durante a tarde, diz que 20 pessoas foram atendidas em hospitais de sua rede: nove no Souza Aguiar; quatro no Salgado Filho; e sete no Miguel Couto.