ACM Neto mantém porta aberta para apoio a eventual candidatura de Doria

Gustavo Schmitt e Dimitrius Dantas
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SÃO PAULO - O presidente do DEM, ACM Neto, manteve a porta aberta para um apoio da sigla a uma eventual candidatura de João Doria (PSDB) em 2022. A posição foi declarada durante jantar com o governador de São Paulo na noite desta terça-feira.

O encontro ocorreu a pedido de Neto que trabalha para baixar a temperatura no DEM, após o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, anunciar que deixará o partido.

Segundo Doria, ACM Neto teria se comprometido a não apoiar o presidente Jair Bolsonaro.

– A informação mais importante que desejávamos ouvir, ouvimos do presidente do DEM quando ele afirmou taxativamente e cabalmente que o DEM não apoia e não apoiará o governo Jair Bolsonaro nem neste momento nem no futuro. Foi taxativo e deu essa informação de forma cabal – disse, em coletiva nesta quarta-feira.

A afirmação de Doria diverge do relato de fontes ligadas ao presidente do DEM. Segundo pessoas próximas a Neto, ele ponderou a Doria que embora sua posição pessoal não seja apoiar Bolsonaro, a sigla tem várias alas, inclusive de bolsonaristas, e deixou claro que vai respeitar essas posições e não pode impor sua vontade.

Ainda assim, se comprometeu a não indicar cargos no governo e negou que o seu ex-chefe de gabinete João Roma vá assumir um Ministério no governo, embora corra nos bastidores de que ele é um dos principais cotados para a pasta da Cidadania.

A reunião com Doria também foi uma tentativa da sigla presidida por Neto não perder o vice governador de São Paulo, Rodrigo Garcia. Ele é o atual presidente do DEM em São Paulo e o principal articulador político da legenda no estado.

No domingo, o vice recebeu um convite de Doria para se filiar ao PSDB. Manter Garcia nos quadros do DEM seria importante para não perder relevância no estado, onde o partido tem 60 prefeitos.

O plano de Doria sempre foi emplacar Garcia como candidato a sua sucessão no Palácio dos Bandeirantes. No entanto, com o racha no DEM e a incerteza do apoio, uma saída seria trazer o aliado para o ninho tucano.

Uma vez no PSDB, Garcia evitaria resistências internas, já que a sigla não quer perder a hegemonia no estado mais rico do país e reivindica a cabeça de chapa na próxima eleição.