ACM Neto sofre baixa e terá candidato ao Senado mais próximo a Bolsonaro

*ARQUIVO* BRASILIA, DF,  BRASIL,  06-10-2021, 12h00: Convenção para a fusão dos partidos PSL e DEM, formando o União Brasil, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. O secretário Geral do novo partido ACM Neto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 06-10-2021, 12h00: Convenção para a fusão dos partidos PSL e DEM, formando o União Brasil, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. O secretário Geral do novo partido ACM Neto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - Pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil) sofreu sua primeira baixa na campanha e não terá mais o vice-governador João Leão (PP) como candidato ao Senado.

A vaga, contudo, permanece em família. Deve assumir a candidatura o deputado federal Cacá Leão (PP), filho de João Leão e nome considerado mais próximo ao presidente Jair Bolsonaro (PL). O anúncio será feito na tarde desta terça-feira (3) em entrevista à imprensa.

A mudança na chapa volta a embaralhar o cenário da sucessão na Bahia, que terá ainda o ex-secretário Jerônimo Rodrigues (PT), o ex-ministro João Roma (PL) e o policial Kleber Rosa (PSOL) como candidatos ao governo.

Aliado de governos petistas na Bahia desde 2010, o PP rompeu com o governador Rui Costa (PT) em março e aderiu ao ex-prefeito de Salvador. Na ocasião, João Leão foi anunciado como candidato ao Senado.

A saúde frágil de Leão, que tem 76 anos, foi a justificativa para a desistência da candidatura majoritária. Antes mesmo da campanha, ele já havia dado sinais de que estava com uma saúde debilitada: em fevereiro chegou a desmaiar em uma solenidade do governo baiano.

Neste fim de semana, após uma extensa agenda de pré-campanha em cidades do sertão baiano, que incluiu uma caminhada sob sol forte, o vice-governador comunicou a aliados que declinaria da candidatura ao Senado.

A expectativa é que ele concorra à Câmara dos Deputados. Além de enfrentar uma campanha eleitoral mais tranquila, ele seria uma espécie de puxador de votos para o PP da Bahia.

Com a troca do pré-candidato ao Senado, ACM Neto passa a ter como companheiro de chapa um nome menos ligado ao PT da Bahia e mais próximo a Bolsonaro.

Ao aderir a a ACM Neto, João Leão chegou a anunciar que apoiaria o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Presidência. Depois, recuou e disse que não iria se posicionar na eleição nacional, seguindo a mesma estratégia do ex-prefeito de Salvador.

Cacá Leão, por sua vez, foi líder do PP na Câmara dos Deputados em 2021, onde articulou a aprovação de projetos de interesse de Bolsonaro e comandou a bancada no momento em que esta atuou como anteparo para barrar os pedidos de impeachment do presidente.

O nome de Cacá Leão também tem o respaldo da cúpula nacional do partido e trânsito com o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, e com o presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira, ambos do PP.

Ao contrário do pai, Cacá teve postura mais dúbia em relação aos governos petistas. Em 2016, optou por se abster na votação do impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT).

Na visão e aliados, este distanciamento deixaria Cacá Leão mais à vontade do que o pai para possíveis críticas às gestões do PT na Bahia. Desde que migrou para oposição, João Leão vinha fazendo críticas pontuais ao governo, mas evitava embates com o governador Rui Costa.

Cacá Leão deve enfrentar nas urnas o senador Otto Alencar (PSD), que concorre à reeleição na chapa petista, a médica Raíssa Soares (PL) e socióloga Tâmara Azevêdo (PSOL).

A liderança de ACM Neto nas pesquisas é um ponto a seu favor. Desde 1962, a Bahia não elege um senador de chapa contrária ao governador eleito.

Entre aliados de ACM Neto, a avaliação é que a troca agrega em termos de imagem. Com 42 anos, Cacá Leão ajudaria a rejuvenescer e dar um ar de novidade à chapa do ex-prefeito de Salvador.

"Fiquei muito feliz com a vinda do PP e a candidatura de João Leão ao Senado, mas não posso negar que fico empolgado com a renovação que Cacá representa", afirmou nesta terça o deputado federal Arthur Maia (União Brasil).

Os adversários, contudo, destacam que a desistência de João Leão é um baque do ponto de vista político e abala a liderança de João Leão dentro do partido.

Por ser um dos líderes mais antigos do PP no estado, o vice-governador conseguiu unificar a maioria do partido em torno do seu nome e teve apoio de deputados federais, estaduais e prefeitos do partido na decisão de romper com o PT.

Com o seu nome fora da majoritária, contudo, há chance de que parte da bancada apoie Jerônimo Rodrigues em uma aliança informal. Parte dos prefeitos do partido já aderiu ao petista.

Presidente do PT na Bahia, Éden Valadares classificou a troca de João Leão por Cacá Leão na chapa oposicionista como "a repetição da velha forma de fazer política" na Bahia.

"De avô para neto, de pai para filho, os conservadores entendem a política baiana como capitania hereditária. Não há partido, grupo, discussão coletiva. É sempre o novo que já nasce velho", disse.

A desistência de João Leão marca mais uma reviravolta na sucessão da Bahia, que embaralhou em março após a desistência do senador Jaques Wagner (PT) em concorrer ao governo baiano.

Na época, o senador Otto Alencar (PSD) também declinou da proposta de concorrer ao governo com o apoio do PT, que escolheu o então secretário estadual da Educação, Jerônimo Rodrigues.

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