Acompanhantes de idosos redobram atenção após 'vacina de vento' no Rio

Lívia Neder
·2 minuto de leitura

Policiais da 105ª DP intimaram duas testemunhas, nesta segunda-feira, ao investigar o caso da falsa imunização contra Covid-19, em Petrópolis, após a família de uma idosa de 96 anos denunciar que ela recebera uma "vacina de vento". Com a repercussão do caso, a técnica de enfermagem envolvida foi afastada e um novo protocolo adotado pela secretaria de Saúde na hora da vacinação. De acordo com a secretaria, a técnica disse que o ato não foi intencional, mas sim provocado por um problema com a seringa. O Conselho Regional de Enfermagem acompanhou a explicação, nesta segunda.

Agora, para constatar se está tudo certo com a vacinação, os acompanhantes dos idosos são convidados a sair do carro e averiguar a seringa, antes e depois da aplicação, no drive thru montado na Universidade Católica de Petrópolis (UCP), onde ocorreu o problema na última sexta-feira.

Na tarde desta segunda, o frentista Yuri Costa levou o avô de 90 anos para ser vacinado, no posto da UCP. Ele falou que ficou apreensivo, após saber do episódio e que redobraria os cuidados na hora da aplicação.

— Vemos essas coisas e ficamos muito tristes, mas estávamos ansiosos para vacinar meu avô. Que sirva de alerta para todos prestarem atenção ao levarem seus idosos.

O designer Carlos Magno Braga também esteve no posto para buscar mais informações sobre a vacinação para o pai de 95 anos e destacou que casos como esse dão margem para a desconfiança:

— Isso que aconteceu foi um absurdo, e os responsáveis precisam ser punidos.

Integrante da Comissão de Defesa da Saúde, a vereadora Gilda Beatriz (PSD) protocolou denúncia ao Ministério Público e pediu na Câmara maior controle e transparência no sistema de vacinação municipal.

— Enquanto estive nos postos drive thru da UCP e de Itaipava, verifiquei que os frascos foram abertos e o conteúdo transferido para a seringa, na frente do idoso e acompanhante, como passou a determinar a secretaria de Saúde. Claro que os profissionais da linha de frente não podem pagar por um erro — disse a vereadora.

Em nota, a Secretaria de Estado de Polícia Civil reafirmou que investiga possíveis desvios relacionados à vacinação: "Entre as investigações já existem inclusive apurações relacionadas às denúncias de falsa dose de vacina em Niterói e Petrópolis. Se as investigações confirmarem que houve desvio de dose, ou qualquer outra irregularidade, o profissional de saúde poderá ser autuado pelo crime de peculato, que tem penas que podem chegar até a 12 anos de reclusão."