Acordo de livre-comércio UE-Mercosul pode estar próximo

Por Alexandre PEYRILLE
O anúncio pode ser feito ainda esta semana em Buenos Aires, durante a conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), mas alguns setores europeus continuam receosos

Após 18 anos de negociações, a União Europeia e o Mercosul se aproximam de um acordo de livre-comércio. O anúncio pode ser feito ainda esta semana em Buenos Aires, durante a conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), mas alguns setores europeus continuam receosos.

"Está avançando, há uma forte possibilidade de que seja feita uma declaração", estimou Jonathan Hepburn, do Centro Internacional para o Comércio e o Desenvolvimento Sustentável.

Os países do Mercosul - Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai - querem concluí-lo antes do fim do ano. Do lado europeu, privilegia-se "sobretudo o conteúdo, em vez do calendário".

"Não se pode confundir velocidade e precipitação. Nós precisamos dar garantias aos consumidores europeus, ligadas ao aspecto sanitário, para garantir que os produtos estejam dentro dos padrões da UE", explica o secretário francês de Comércio Exterior, Jean-Baptiste Lemoyne.

Por ora, diz ele diplomaticamente, "as propostas ainda não encontraram eco suficiente".

- Preocupações dos agricultores europeus -

A Argentina, onde acontece a 11ª Conferência da OMC e será realizado o G20 em 2018, pressiona para anunciar o acordo ao fim desta reunião, nesta quarta-feira (13).

Os quatro presidentes de países do Mercosul estão e Buenos Aires.

Antes da reunião, o ministro argentino das Relações Exteriores, Jorge Faurie, declarou-se "entusiasmado, porque nós estamos perto de um acordo".

O presidente Michel Temer constatou "avanços significativos nas últimas semanas", que permitem chegar a um acordo, pelo menos político, até 21 de dezembro, na próxima cúpula do Mercosul em Brasília.

"Para nós, o processo não chegou ao fim. Eu não creio que possamos alcançar um acordo em Buenos Aires. Ainda temos trabalho à frente", disse nesta segunda-feira o chefe da delegação francesa em Buenos Aires.

A comissária europeia do Comércio, Cecilia Malmström. indicou nesta manhã que as negociações comerciais da UE com o Mercosul podem se estender até o começo do ano que vem.

O bloco almeja criar cotas para a carne bovina e para o etanol. Os sul-americanos - Brasil, sobretudo - gostariam de exportar 100 mil toneladas de carne por ano para a Europa, enquanto Bruxelas abre as portas para apenas 70 mil toneladas, de acordo com uma fonte próxima às negociações.

No caso do etanol, a UE teria aceitado 600 mil toneladas, e 100 mil de açúcar.

Preocupados com a concorrência sul-americana, os agricultores europeus estão pressionando o bloco.

"Nessas negociações, o setor agrícola, seus empregos, seus produtos merecem algo melhor do que serem considerados a variável de ajuste de acordos comerciais de outros setores industriais", diz o principal sindicato agrícola francês, a FNSEA.

Na América do Sul, os produtores industriais que têm custos de produção elevados, como dos setores têxtil e automotivo, temem a entrada de produtos europeus no mercado. O Mercosul também abriria mercados públicos para empresas europeias.

Um acordo de compromisso pode resultar em uma abertura gradual dos mercados.

Os negociadores não terão, porém, a última palavra. Os parlamentos de cada país da UE terão de aprovar o acordo para que seja ratificado.