Acordo para Museu Casa da Moeda receber acervo em risco da Funarte está próximo

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Estão avançadas as negociações para que o Museu Casa da Moeda, na Praça da República, no Centro do Rio de Janeiro, acolha o acervo do Centro de Documentação e Pesquisa (Cedoc) da Fundação Nacional das Artes (Funarte). O termo de cessão do espaço ainda está sendo definido, e o acordo deve ser assinado em breve.

Em reunião com pesquisadores e representantes da classe artística realizada na última sexta-feira, no dia 10 de setembro, Tamoio Athayde Marcondes, presidente da Funarte, ressaltou que a transferência da valiosa coleção histórica para o Museu Casa da Moeda "já é algo bem encaminhado".

A reunião ocorreu depois que pesquisadores, instituições variadas e mais de 200 artistas — entre os quais, Fernanda Montenegro, Nathália Timberg, Marieta Severo, Ary Fontoura e Marco Nanini, alguns deles doadores frequentes de arquivos e itens diversos — enviaram uma carta aberta à Funarte exigindo adequada preservação do acervo, atualmente em risco.

Como já se sabe, o edifício de 13 andares que abriga, na Rua São José, no Centro do Rio, cerca de dois milhões de preciosidades da cultura brasileira — tesouro que é tido como a maior coleção sobre teatro na América Latina — foi interditado por tempo indeterminado, sob risco de incêndio. O laudo predial do imóvel segue desatualizado há mais de dez anos, o que gera apreensão, já que os arquivos pesam e são crescentes.

Participaram da reunião virtual, no último dia 10, cerca de 15 pesquisadores vinculados a universidades de diferentes regiões do país, que criaram o grupo batizado de Salve Cedoc. Na ocasião, Tamoio Athayde Marcondes garantiu que o Museu Casa da Moeda é um espaço seguro, reformado recentemente "por R$ 12 milhões", segundo informações próprias, e com modernos equipamentos de prevenção a incêndio.

Ainda de acordo com Marcondes, o local hoje está praticamente vazio, e poderia ser quase inteiramente ocupado pela Funarte, dividindo espaço com uma pequena exposição permanente no edifício. Segundo o presidente do órgão, haveria sete mil metros lineares disponíveis para a alocação dos documentos, número suficiente para comportar a totalidade do acervo.

Se tudo correr como planejado, a equipe deve promover uma visita técnica ao Museu Casa da Moeda na próxima semana, com participação de integrantes do grupo Salve Cedoc. A organização formada por pesquisadores alega que está sendo bem recebida pela instituição, e que insistirá "numa participação ativa em todos os processos decisórios acerca do acervo, bem de importância nacional e internacional", como frisa a professora doutora Tânia Brandão, do Grupo de Pesquisa História do Teatro Brasileiro, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio).

Internamente, porém, a mudança física do acervo ainda é tratada como dúvida. Aos servidores, o presidente da Funarte garantiu, em outra reunião também no dia 10, que "não haverá desordem na instituição" e que "os funcionários devem permanecer tranquilos". E mais: que a intenção da diretoria é "equilibrar, com cuidado, rapidez e preservação adequada dos arquivos".

A Funarte estuda, no momento, se irá aderir a uma ata da Secretaria especial da Cultura, vinculada ao Ministério do Turismo, que pretende contratar serviços terceirizados para "gestão documental", no qual "deverá estar previsto a execução de serviços de digitalização", além de tratamento de acervos — o detalhamento da ação foi apresentado em power point, durante a reunião, com imagens que mostram a precariedade dos ambientes que comportam o acervo hoje, algo que o GLOBO teve acesso. O edital para a escolha da empresa que prestará tal serviço, a partir de novembro, ainda será publicado.

Até que as mudanças sejam levadas a cabo, o atual prédio da Funarte seguirá parcialmente fechado, com atendimento a pesquisadores mediante agendamento, uma reinvidicação dos integrantes do Salve Cedoc atendida pela diretoria do órgão. "Essa parte é um pouco confusa, porque o prédio está interditado por riscos, e ao mesmo tempo poderá receber gente", reclama um funcionário ao GLOBO.

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