Acusado de abuso sexual, pai se defende e pede que nadadora olímpica não use mais seu sobrenome

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As denúncias de abuso sexual feitas pela nadadora húngara Liliana Szilágyi contra seu pai comoveram o país e o mundo da natação. Diante da repercussão, Zoltán Szilágyi veio à público se defender. Em depoimento à imprensa local, o pai da atleta, que também foi seu treinador, negou as acusações e ainda condenou a filha de forma veemente, chegando a pedir que ela não use mais seu sobrenome.

"Querida Liliana. Durante seis anos você fez tudo o que quis comigo e até agora eu suportei em silêncio. Agora que confundiu sua irmã e me expôs para todo o mundo tenho que falar. Depois, não quero mais me defender nem dar explicações à imprensa porque o que você diz não tem como defender. Como posso demonstrar, ao mesmo tempo, que nunca agredi nem maltratei você, sua mãe e sua irmã? Espero que isso se esclareça no processo penal aberto contra mim. De toda forma, os que conhecem a mim e também a você sabem a verdade. Diga o que for, mantenho minha declaração há seis anos por mais que queira me arruinar ou por mais que tente chamar a atenção: já não dou apoio econômico nem a você e nem a sua mãe e ambas sabem a razão. Cada uma das suas palavras falsas é uma punhalada no meu coração. Mas já é adulta e, logo, responsável por suas próprias decisões e ações. Só me atrevo a esperar que, uma vez que enfrente o que fez, possa perdoar a si mesma. Por isso, gostaria de te pedir, como já te pedi antes, que utilize o sobrenome de sua mãe em vez de Szilágyi, porque não quero que manche meu nome, Dr. Zoltán Szilagyi", escreveu o pai da nadadora.

Em seu desabafo, a nadadora de 25 anos relatou que os abusos do pai não eram apenas sexuais, mas também físicos e psicológicos. Segundo Liliana, antes mesmo de ela ter nascido sua mãe já sofria violência doméstica por parte dele.

Zoltán, de 54 anos, também foi nadador. Ele integrou as equipes de natação da Hungria em Seul-1988, Barcelona-1992 e Sydney-2000, além de ter treinado a filha. Ela rompeu contato com o pai em 2016, após o pódio no Campeonato Europeu de Esportes Aquáticos.

Em Londres-2012, Szilágyi foi a nadadora mais jovem da Hungria. O melhor desempenho na carreira foi no Rio-2016, quando chegou às semifinais nos 100m e 200m borboleta. Antes, ela havia conquistado dois ouros nos Jogos da Juventude de Nanjing, em 2014, e é a recordista dos 100m borboleta em seu país (57.54s).

Em dezembro do ano passado, ela anunciou que não iria para os Jogos de Tóquio e ficou fora das redes sociais por meses. Antes, ela já havia publicado um texto em que informava que passava por problemas pessoais e precisava de um tempo.

"Se houvesse rompido antes, ele faria coisas inimagináveis para nós como consequência, degradando nossa personalidade, tirando de nós consciência e emoções. Compartilho minhas histórias para que (outras vítimas) não achem que estão sozinhas. A sensação de liberdade é melhor do que qualquer outra coisa, e eu não sou uma escrava da minha própria vida", disse a nadadora em trecho do seu depoimento.

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