Acusado de coleguismo, Johnson defende contratos relacionados ao coronavírus

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Jonhson acusado de coleguismo
Jonhson acusado de coleguismo

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, se defendeu nesta quarta-feira(18) contra acusações de coleguismo na concessão de contratos relacionados à pandemia e das críticas sobre sua falta de transparência.

O National Audit Office (NAO), órgão responsável pelo monitoramento dos gastos públicos, observou em um relatório que o governo Johnson faltou com transparência na concessão de contratos no valor de 18 bilhões de libras para combater a covid-19.

O relatório foi divulgado em um momento em que a oposição acusa o executivo de favorecer doadores e familiares de membros do Partido Conservador em contratações relacionadas à pandemia.

Uma investigação da BBC afirmou nesta semana que um empresário espanhol, identificado como Gabriel González Andersson, recebeu 21 milhões de libras dos contribuintes britânicos para intermediar a compra de material de proteção.

"Estou muito orgulhoso do que foi realizado", disse Johnson aos deputados em resposta às críticas, acrescentando que sua administração "moveu céus e terras" para obter equipamentos de proteção suficientes para o pessoal médico.

“Enfrentamos uma situação muito difícil na qual não havia abastecimento adequado em todo o mundo”, frisou.

No início da pandemia, o executivo teve que comprar com urgência material de proteção sanitária em um mercado mundial com alta demanda e baixa oferta, reconheceu o NAO.

“Admitimos que foram circunstâncias excepcionais”, mas “ainda é essencial que essas decisões sejam devidamente documentadas e transparentes se o governo quiser manter a confiança de que o dinheiro dos contribuintes está sendo gasto de forma adequada e justa”, disse seu diretor Gareth Davies.

- Concessões sem licitação -

Essa falta de transparência pode ser apenas "a ponta do iceberg", disse a presidente do comitê de contas públicas da Câmara dos Comuns, a opositora trabalhista Meg Hillier.

O relatório "mostra que esses padrões de transparência e documentação não foram observados de forma consistente durante a primeira fase da pandemia", destacou Davies.

De acordo com o NAO, até 31 de julho, foram concedidos mais de 8.600 contratos no valor total de 18 bilhões de libras (24 bilhões de dólares, 20 bilhões de euros) dos quais 10,5 bilhões foram concedidos sem licitação.

Um "rito de alta prioridade" foi estabelecido para favorecer as empresas recomendadas por ministérios, funcionários, parlamentares ou dirigentes do serviço público de saúde.

O executivo justificou a falta de licitações argumentando que se tratava de uma situação emergencial.

O relatório do NAO cita empresas ligadas a ministros, em setores como relações públicas ou inteligência artificial, para as quais os contratos foram celebrados de forma acelerada.

O jornal Sunday Times afirmou no domingo que o governo concedeu 1,5 bilhão de libras em contratos a empresas relacionadas aos conservadores na primeira onda da pandemia, mas o governo negou as acusações.

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