Acusado de forjar atentado, deputado bolsonarista é transformado em réu pelo STF

Rosa Weber, relatora do inquérito, afirmou em seu voto que há indícios de que o deputado tentou explorar o suposto atentado politicamente - Foto: Câmara dos Deputados/Divulgação
Rosa Weber, relatora do inquérito, afirmou em seu voto que há indícios de que o deputado tentou explorar o suposto atentado politicamente - Foto: Câmara dos Deputados/Divulgação

Acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de ter forjado o próprio atentado a bala, o deputado bolsonarista Loester Trutis (PL-MS), foi transformado por unanimidade, pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em réu por comunicação falsa de crime, porte ilegal de arma de fogo e disparo de arma de fogo.

O julgamento, no plenário virtual, aconteceu nesta segunda-feira.

Rosa Weber, relatora do inquérito, afirmou em seu voto que há indícios de que o deputado tentou explorar o episódio politicamente para promover bandeiras como porte de armas e a autodefesa por civis.

Os ministros Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Luiz Fux, André Mendonça, Nunes Marques, Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes acompanharam a relatora na decisão.

O deputado bolsonarista foi eleito em 2018 defendendo as ideias da presidência sobre o armamento da população. Ele está em seu primeiro mandato na Câmara e já ocupou a vice-liderança do governo na Casa.

A investigação começou em fevereiro de 2020, depois de o deputado afirmar que foi vítima de uma ‘emboscada’ na BR-060, que fica entre Sidrolândia e Campo Grande, ambos em Mato Grosso do Sul. O carro dirigido por um assessor foi alvo de tiros nos vidros traseiro e lateral.

Na versão apresentada pelo parlamentar, pessoas em um outro veículo alvejaram seu carro. No entanto, laudo pericial, diz que um dos disparos só pode ter sido feito por alguém que estava a pé.

Ainda segundo a investigação, é improvável que o deputado não tivesse sido atingido se realmente estivesse no carro alvejado. O veículo descrito pelo deputado como autor dos disparos foi procurado e não foi localizado.

Na época, o próprio parlamentar postou imagens do veículo nas redes sociais e se dirigiu à Superintendência da Polícia Federal, onde formalizaram a denúncia de suposta tentativa de homicídio.

Não demorou muito para o deputado passar de vítima a investigado. Segundo a Polícia Federal, o atentado não ocorreu, portanto, não houve crime.

A relatora do inquérito, Rosa Weber, disse que o caso deve ser julgado pelo Supremo porque há uma conexão entre os fatos e a atividade parlamentar.

“A relação dos supostos crimes com a função desempenhada pode ser extraída, ainda que de forma indiciária, dos elementos até então reunidos no caderno apuratório. Com efeito, constam indícios que amparam a hipótese de que os investigados teriam agido com a finalidade de capitalizar politicamente o parlamentar e promover pautas de interesse de seu mandato, como o porte de armas e a autodefesa por civis”, escreveu.

Além disso, a ministra citou declarações e postagens de Loester, que se apresentou como vítima de tentativa de homicídio, para reforçar esse entendimento. Para a relatora, não há indicações de que “o alegado atentado contra a vida do parlamentar pudesse ser motivado por causas pessoais”.

A defesa do deputado, ao Supremo, pediu a absolvição sumária. Os advogados alegaram uma série de problemas processuais e defenderam a nulidade da investigação, que teria sido motivada por perseguição política.

O deputado tem negado que o atentado foi forjado e afirma que está sendo vítima de um refinado conluio de autoridades locais, que induziram a PGR e a ministra a erro".