Suspeito de envolvimento na morte de homem que tentava proteger esposa durante assalto é preso

Um homem apontado pela Polícia Militar como um dos envolvidos na morte de Bruno Gomes Valentim Costa, de 41 anos, foi preso por policiais militares nesta quinta-feira. Segundo a corporação, Antônio Carlos de Oliveira Adão foi baleado e detido durante um confronto em uma operação realizada pela corporação em comunidades da Zona Norte do Rio. Bruno foi morto em outubro deste ano, no bairro do Colégio, quando voltava do trabalho. Ao sair da estação, a vítima viu sua esposa em meio a um assalto e tentou protegê-la, mas acabou baleado e não resistiu.

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Antônio Carlos tinha um mandado de prisão em aberto, expedido pelo juiz Marcello Rubioli, da Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça do Rio. De acordo com a PM, após o confronto, agentes realizaram um trabalho de inteligência e descobriram o envolvimento dele na morte de Bruno. Ferido, ele foi levado para o Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, onde permanece internado sob custódia.

A ação nas comunidades da Congonha, Cajueiro, Palmeirinha e Jorge Turco visava, segundo a PM, a retirada de barricadas no Complexo do Faz Quem Quer. Outro homem foi preso na operação. Os agentes também apreenderam um fuzil, duas pistolas e material entorpecente.

Relembre o caso

O crime aconteceu na noite do dia 19 de outubro, quando Bruno retornava do trabalho. Amanda Percico, de 40 anos, agora viúva do gestor do setor de óleo e gás, esperava pelo marido em frente à estação do metrô, como era de costume, quando foi abordada por um criminoso armado. Ao se deparar com a cena, Bruno foi na direção do carro da família gritando “covarde, para com isso, deixa ela”. O bandido deixou o celular roubado cair e abaixou para pegar. Amanda aproveitou a brecha para sair do automóvel e fugir.

Na época, Amanda contou acreditar que o marido tenha pensado que o criminoso iria atacá-la e, ao ver os dois abaixados, jogou a mochila em cima do assaltante. Foi nesse momento que o ladrão atirou.

— Eu o estava aguardando com o carro ligado, porque a gente sabe que a região ali é perigosa. Estava atenta. Quando olhei para o retrovisor, vi que tinha alguém se aproximando e achei suspeito por mexer na blusa. Tentei engatar o carro, mas ele travou. O bandido estava na minha janela, e o Bruno vindo atrás. Ouvi quando ele falou: "para com isso seu covarde" — contou, acrescentando que entregou o carro e o celular para o bandido.

Amanda disse que, ao sair do carro, correu e gritou para o marido fazer o mesmo. Ao olhar para trás, viu que ele não estava e ouviu um tiro. Bruno trabalhava numa empresa de óleo e gás. Amanda é dona de casa. O casal tem duas filhas, de 2 e 7 anos. Ela reclamou da insegurança no bairro e disse que os assaltos são constantemente denunciados pela população:

— A gente sempre vê na televisão, acha que não vai acontecer com a gente. Dá um pouco de revolta com toda essa situação. Sempre foi caótico viver no Rio, mas está mais difícil. Ali naquele bairro, as pessoas fazem denúncias de assalto a toda hora, mas não acontece nada. É uma situação de descaso total.