Acusado de estupro, ator argentino-brasileiro Juan Darthés começa a ser julgado no Brasil

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SÃO PAULO — O ator argentino-brasileiro Juan Darthés, começou a ser julgado nesta terça-feira pelo crime de estupro, na 7ª Vara Criminal de São Paulo. Ele foi acusado pela também atriz argentina Thelma Fardín de ter abusado dela quando os dois participavam de uma turnê pela América Latina com o espetáculo infantil “Patito feo”, no ano de 2009, quando ela tinha 16 anos.

Juan, que tinha 45 anos na época do abuso, negou todas as acusações feitas pela atriz, que tornou o episódio público e fez a denúncia em 2018. A informação do julgamento foi divulgada pela Uol. "Durante nove anos anulei tudo que aconteceu para poder seguir adiante. Até que o testemunho de uma outra garota (em referência à denúncia de Calu Rivero no ano passado) me fez reviver tudo", contou a atriz, entre lágrimas, em uma entrevista coletiva da época.

Em 2019, a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) chegou a emitir um alerta vermelho de captura contra o ator. Darthés estava vivendo no Brasil desde que a acusação de Thelma veio à tona, no fim do ano anterior. Outras atrizes já denunciaram o argentino. Todas disseram que ao sofrerem alguma violência por parte de Darthés, ouviram dele a frase "olha como você me deixa".

Filho de argentinos, ele nasceu em São Paulo e foi registrado como Juan Rafael Pacífico Dabul. A família voltou ao país vizinho quando ele ainda era criança e o ator se tornou uma estrela. Brasil e Nicarágua, onde o estupro aconteceu, não possuem acordo de extradição. Por ser brasileiro, Darthés não pode ser preso no Brasil até que o Supremo Tribunal Federal faça um pedido de prisão preventiva contra ele.

Em 2018, logo após a denúncia de Thelma Fardín, a Unidade Fiscal especializada em violência contra a mulher do Ministério Público argentino, criada em 2015, recebeu uma enxurrada de denúncias e pedidos de ajuda de mulheres de todas as idades, que decidiram romper o silêncio sobre abusos sofridos, em alguns casos, há décadas. O impulso a todas essas mulheres foi dado pela denúncia da atriz Thelma Fardin.

A acusação de Thelma provocou uma reação em massa de outras mulheres que, de alguma maneira, sentiram que chegou a hora de denunciar. Um novo Nunca Mais, lema das organizações de direitos humanos que lutam para esclarecer crimes da ditadura, desta vez para conter a violência de gênero.

— A denúncia de Thelma teve o impacto de uma tsunami. Não só em unidades como a nossa, mas em muitos outros âmbitos. No Twitter, a hashtag #amitambiénmepasó (também aconteceu comigo) foi usada por milhares de mulheres, em alguns casos senhoras de 80 anos, que se atreveram a falar de abusos no passado — disse a promotora Mariela Labozzetta, à frente da unidade especializada em violência contra mulheres do MP argentino.

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