Acusado de tentativa de homicídio por agressão em frente ao Instituto Lula é nomeado em gestão petista

GÉSSICA BRANDINO
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SÃO PAULO, PT (FOLHAPRESS) - Ao assumir a Prefeitura de Diadema pela quarta vez, no dia 1º de janeiro, o petista José de Filippi nomeou como diretor-presidente da Fundação Florestan Fernandes no município o ex-vereador Manoel Eduardo Marinho, conhecido como Maninho do PT, que é réu junto com o filho sob a acusação de tentativa de homicídio qualificado contra o empresário Carlos Alberto Bettoni. O caso aconteceu diante do Instituto Lula no dia em que o então juiz Sergio Moro decretou a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 5 de abril de 2018, após a condenação em segunda instância no caso do triplex de Guarujá. Bettoni insultou o na época senador petista Lindbergh Farias e foi empurrado, bateu a cabeça no para-choque de um caminhão e caiu no meio da rua, sofrendo traumatismo craniano. Maninho e o filho, Leandro Eduardo Marinho, não prestaram socorro ao empresário, assumindo o risco de que a morte pudesse ocorrer, segundo a Promotoria. Além deles, o dirigente sindical Paulo Cayres foi indiciado, mas teve o inquérito arquivado a pedido do promotor Felipe Eduardo Levit Zilberman, por não ter participado diretamente do ataque. À reportagem Carlos Alberto Bettoni, 58, afirmou que sua vida após aquele dia se tornou "anormal". "Perdi meu emprego, virei um epilético, sofri traumatismo craniano", diz. O empresário ficou 20 dias internado na UTI após a queda. Depois disso, passou a sofrer convulsões que levaram a novas internações, numa rotina que se tornou imprevisível, relata. Ele chama Maninho e Leandro de "homicidas incompetentes", dizendo que eles não praticaram uma agressão, mas "uma tentativa de homicídio qualificado com dolo eventual", que é quando o risco de morte é assumido pelo agente. O Ministério Público de São Paulo afirma que as qualificadoras no caso são motivo torpe e meio cruel. O processo tramita em segredo de justiça e, por conta da pandemia da Covid-19, ainda está na etapa de interrogatório dos acusados, agendada para 11 de maio. Caso sejam condenados, os réus podem pegar de 4 a 20 anos de prisão. Maninho e o filho foram presos preventivamente no dia 11 de maio de 2018, por ordem da juíza Débora Faitarone, que considerou o ato "um crime doloso contra a vida, praticado de maneira tão covarde". No dia 14 de dezembro do mesmo ano, ambos deixaram a prisão, após um habeas corpus concedido pela 5ª turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça), relatado pelo ministro Jorge Mussi. O advogado dos réus, Roberto Guimarães, afirmou em nota que eles aguardam o julgamento cumprindo todas as medidas e condições impostas pela Justiça. Ambos, desde a soltura, vêm trabalhando licitamente para prover o sustento de suas famílias, afirmou ele. "É importante destacar que não há qualquer proibição legal ou judicial para que os srs. Manuel Eduardo Marinho e Leandro Eduardo Marinho trabalhem em entidades públicas ou privadas", disse Guimarães. Pelo cargo na Fundação Florestan Fernandes, autarquia sem fins lucrativos que oferece cursos profissionalizantes principalmente para o público jovem, Maninho receberá um salário de R$ 10.533,55. A Prefeitura de Diadema disse em nota que Maninho foi escolhido para o cargo pelo conhecimento da cidade e "por já apresentar projetos para fortalecimento da fundação, como a busca de parcerias com universidades e a iniciativa privada, além da modernização dos cursos, com atenção especial para pessoas com deficiência". Sobre o processo de tentativa de homicídio, a prefeitura afirmou que não compactua com nenhum ato de violência. "O que aconteceu no passado foi uma fatalidade e que não condiz com a postura pacífica sempre apresentada por Maninho durante todos esses anos", diz, acrescentando que o petista mora na cidade há mais de 40 anos e foi vereador por cinco mandatos, comandando a Câmara Municipal por quatro vezes. "É no futuro da fundação, que tanto nos orgulha, que devemos focar a partir de agora", finalizou a prefeitura. Ao ser informado sobre a contratação de Maninho, Bettoni reagiu com indignação. "Acha certo ele estar empregado e eu, que sou a vítima, estar desempregado?". O empresário afirma que antes tinha um estacionamento, mas com as sequelas não pode mais dirigir, além de ter perdido a capacidade cognitiva e não poder praticar esportes. Bettoni não quis comentar como tem se mantido financeiramente e nem falar sobre os custos do tratamento hospitalar. Ele segue com acompanhamento médico e uso diário de vários medicamentos.