Acusados de divulgar cloroquina, governadores rebatem senador governista Marcos Rogério

·4 minuto de leitura
Marcos rogerio.jpg

O senador governista Marcos Rogério (DEM-RO), integrante da CPI da Covid, utilizou parte de seu tempo para fazer perguntas ao ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello para mostrar um vídeo na tentativa de responsabilizar governadores pela recomendação e distribuição de cloroquina. Nas gravações, os governadores João Doria (PSDB-SP), Wellington Dias (PT-PI), Flávio Dino (PCdoB-MA), Renan Filho (MDB-AL) e Helder Barbalho (MDB-PA), além do secretário de Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, não se posicionaram contra a indicação do medicamento sem eficácia comprovada para tratamento da Covid-19.

A atitude de Rogério provocou a reação de vários senadores e do presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), que afirmaram que os vídeos eram de março e abril de 2020, antes da Organização Mundial da Saúde (OMS) desaconselhar o uso de cloroquina. Nas redes sociais, alguns dos governantes citados se defenderam das acusações do parlamentar do Democratas.

O governador do Maranhão, Flávio Dino, classificou a exibição como uma “manipulação” e publicou um documento do governo do estado, com a data de maio do último ano, em que o uso da cloroquina já não era recomendado para o tratamento de coronavírus.

“A respeito de manipulação de vídeo, de abril de 2020, na CPI do Senado, o documento abaixo prova a posição oficial que adotamos em maio de 2020. Jamais carreguei caixa de remédio nem tentei empurrar nas pessoas (ou em emas). Não aceito ser nivelado com irresponsáveis”, declarou.

Wellington Dias, governador do Piauí, também foi ao Twitter para desmentir o senador da base aliada ao governo. Segundo Dias, o vídeo não indicava o uso da medicação, mas sim o compromisso de manter os estoques das farmácias abastecidos para o atendimento dos casos de Covid-19.

“Um vídeo exibido em sessão da CPI da Covid no Senado Federal hoje foi gravado em abril de 2020 e, ao contrário do que foi dito, não está receitando cloroquina, mas afirmando o compromisso do Governo do Piauí de manter o abastecimento de medicamentos nas farmácias dos hospitais. Assim, os médicos utilizariam em seus atendimentos de acordo com suas necessidades. O critério da ciência para receitar qualquer medicamento sempre foi e será do médico”, defendeu.

O presidente da comissão, Omar Aziz, defendeu os governadores ao dizer que a ciência evolui muito rápido e que, naquela época, ele também tomaria cloroquina.

“A ciência é uma coisa que ela evolui e protocolos são assinados em grandes revistas de especialistas mensalmente, anualmente, isso aí foi em março de 2020. Em março de 2020, se eu tivesse se contraído com o eu tomaria também cloroquina”.

Em outro momento, o infectologista David Uip, ex-coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus de SP, também foi acusado por Marcos Rogério de recomendar o uso de cloroquina na rede pública para o tratamento de pacientes infectados. A gravação exibida pelo senador mostrava uma fala de Uip em abril de 2020, em reunião com o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta.

O senador afirmou que o médico defendeu a adoção do protocolo de distribuição para cloroquina mas, em entrevista ao G1, Uip declarou que “jamais defendeu a distribuição ou uso indiscriminado”.

Naquela reunião, o que se discutiu foi apenas que o medicamento fosse usado em pacientes internados em hospitais, em estado grave e sob supervisão médica, antes deles serem intubados. Era começo da pandemia e pouco se sabia sobre os efeitos colaterais graves do medicamento”, disse Uip ao portal de notícias.

A principal estratégia da base governista na CPI da Covid são os requerimentos que tratam dos repasses federais para estados e municípios durante a pandemia. A tentativa de responsabilizar governadores pela divulgação da cloroquina como tratamento para a Covid-19 também entrou no pacote de apostas para que a comissão desvie o foco do Executivo federal na CPI. Apesar disso, os temas propostos têm tido pouco destaque entre a maioria das solicitações aprovadas e discussões que tratam exclusivamente do governo federal.

Como mostrou a colunista Míriam Leitão, o perfil oficial do Democratas no Twitter respondeu um seguidor com posicionamento contrário ao senador do partido. A mensagem tentou estabelecer uma independência entre a atuação de Marcos Rogério na CPI, que tem sido um dos principais defensores do governo, da posição do partido. A publicação não pode mais ser encontrada na rede social.

"As posições do senador Marcos Rogério na CPI refletem seu pensamento como parlamentar, e não como partido. Desde o início da pandemia, o compromisso do Democratas com a ciência e a preservação da vida se faz evidente em nossas gestões pelo Brasil".

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos