A adaptação de Italo Ferreira para as ondas pequenas do Japão

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Italo Ferreira corre o circuito mundial há seis anos, e seu auge, até agora, foi a vitória na icônica Pipeline, em dezembro de 2019, que lhe valeu o título mundial. Está acostumado com os mais variados tipos de onda. Grandes, médias, tubulares, previsíveis e imprevisíveis... No Japão, porém, deve encontrar um cenário pouco afeito aos surfistas logo na estreia olímpica da modalidade: o mar flat, ou seja, com ondulações pequenas e fracas, na praia de Tsurigasaki.

Para encarar o que provavelmente lhe espera no Japão, o potiguar de 27 anos teve de sair da sua zona de conforto. E, para isso, deixar algumas calorias de lado e pegar menos pesado na malhação.

Até agora, Italo já perdeu três quilos — está com 71,5kg — a fim de dar mais leveza e agilidade aos movimentos sobre a prancha, também escolhida a dedo.

— Foi um pouco difícil porque eu gosto de comer e de treinar pesado. Para manter, estou treinando com pesos leves. Pareço um vovô na academia. Um vovô em forma, mas que pega leve e faz tudo devagarzinho. Agora estou treinando mais mobilidade, agilidade e resistência. É bem fora do que faço no circuito — analisa.

Italo tem algum conhecimento das águas japonesas. Em 2019, num evento pré-olímpico, ele venceu a competição, disputada em uma praia diferente da sede dos Jogos, mas com condições semelhantes. Naquela ocasião, uma tempestade de última hora trouxe ondas na decisão.

Mas não dá para contar apenas com a sorte, ainda que esteja na temporada de tufões por lá. Com dia certo para começar e acabar as baterias (25 a 28 de julho, e mais quatro dias extras, se necessário), a competição não irá esperar pelas melhores condições do mar.

— Se não tem onda, não tem o que fazer, não tem outra escolha. Se no skate estiver chovendo, pode secar pista. Se não tiver onda, não tem como surfar, se apresentar, competir. É algo que não esperamos, seria o pior cenário para todo mundo.

Outra mudança de olho nas Olimpíadas foi o retorno à Baía Formosa depois de quatro meses competindo no exterior. Além de se nutrir com o acolhimento da família, a curta temporada no Nordeste tem outro motivo.

— Voltei para treinar condições pequenas do mar, com vento e sem vento. São algumas semanas para voltar a esse ritmo de onda menor — conta o surfista, que vai aproveitar mais duas semanas em casa antes da viagem ao Japão.

O comprometimento evidencia que Tóquio não é apenas mais uma etapa do circuito. É a chance de estar entre os primeiros medalhistas do surfe da história das Olimpíadas.

Atualmente em segundo lugar no ranking mundial, Italo não rechaça o status de favorito na competição. Ao lado de Gabriel Medina, primeiro colocado, a expectativa de medalha brasileira é uma realidade. Inclusive, de uma outra dobradinha da “Brazilian Storm” também em águas japonesas — neste ano, as cinco etapas do circuito masculino foram vencidas só por brasileiros.

— Pelo momento que estamos vivendo no circuito, as expectativas vão recair em nós. Estamos em chaves diferentes. Se tudo ocorrer normal, a gente se encontra na final — afirma, sem falsa modéstia.

A rivalidade entre os brasileiros fica para dentro d’água. Italo evita entrar na polêmica envolvendo Medina e o COB. A entidade negou o pedido do número 1 do mundo de levar sua mulher, Yasmin Brunet, como estafe. Ele argumentou que Italo vai poder levar um amigo que não seria especialista, mas que trabalha filmando suas baterias nos eventos.

O brasileiro afirmou que tem se mantido afastado do noticiário e acrescentou apenas que, no circuito mundial, também já está havendo limites no estafe dos atletas por causa da pandemia.

Além dos treinamentos físicos e técnicos e da recarga de energia em Baía Formosa, Italo tem um cuidado extra em tempos de pandemia. Já vacinado com as duas doses, ele se cerca de cuidados para não correr o risco de se contaminar às vésperas dos Jogos. Um resultado positivo pode ser o fim do sonho olímpico.

— Estou me cuidando. Tento controlar quem está ao meu lado. Estou fazendo teste toda semana.

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