Adélio Bispo participou de manifestações contra o PT e pensou em se filiar a partido de direita

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Adélio Bispo de Oliveira é escoltado por policiais no aeroporto de Juiz de Fora. (Foto: Ricardo Moraes/Reuters/08-09-2018)
Adélio Bispo de Oliveira é escoltado por policiais no aeroporto de Juiz de Fora. (Foto: Ricardo Moraes/Reuters/08-09-2018)

Em depoimentos prestados à Polícia Federal, Adélio Bispo, responsável por dar uma facada no presidente Jair Bolsonaro (sem partido), relevou que já pensou em se filiar a um partido de direita. Ele também relatou que esteve em protestos contra o PT. O teor dos depoimentos, dado no presídio federal de Campo Grande, foi relevado pelo UOL.

Adélio falou com o delegado Rodrigo Morais, da Polícia Federal, e também a psiquiatras um dia depois de cometer o atentado contra Bolsonaro. Ele relatou que, em 2005, começou a integrar manifestações contra o Partido dos Trabalhadores em Curitiba. Segundo Adélio, o principal motivo foi o esquema conhecido como “mensalão”.

Quando foi ouvido em 8 de fevereiro de 2019, ele citou novamente as manifestações. Ao longo dos depoimentos ele relevou que admirava o ex-ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal. A decisão de Adélio de tirar passaporte e cogitar sair do país se deu após a aposentadoria de Barbosa. “Vi que tudo era uma farsa e tirei o passaporte.”

Adélio Bispo ainda relevou que, em 2014, tentou se filiar ao PSD em Uberaba, Minas Gerais. Mas, parou o processo no meio. Ele já tinha sido filiado ao PSOL, argumento usado com frequência pelo presidente e pelos filhos para criticar a esquerda. Após terminar o processo de desfiliação da legenda, Adélio procurou o PSD.

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O laudo psiquiátrico forense, revelado pelo UOL, diz que Adélio Bispo tem transtornos delirantes permanentes. "A raiz da doença é genética, reforçada por vivências traumáticas na infância", diz o documento, encaminhado ao juiz da 3ª Vara Federal Criminal de Campo Grande.

Adélio foi considerado inimputável pela Justiça. Ele revelou durante os depoimentos que ouviu a “voz de Deus” para matar Bolsonaro e que as motivações foram políticas. As versões dadas por Adélio mudavam com frequência.

Outro tema sobre o qual se mostrava obcecado era a maçonaria. “Decidi matá-lo em Juiz de Fora, que é a terra mais infiltrada que conheci de maçons”, contou Adélio Bispo, que também via símbolos da maçonaria em lugares distintos, como em prédios e na calçada.

Segundo o laudo, os peritos forenses acham que Adélio não aceitou ser enquadrado como doente mental por acreditar que ser avaliado desta forma acabaria com a notoriedade que ele acha que conseguiu.