Adélio Bispo vai passar por nova perícia e pode ser libertado

In this photo released by the Military Police, Adelio Bispo de Oliveira, suspected of stabbing Jair Bolsonaro, a leading Brazilian presidential candidate, sits after being detained in Juiz de Fora, Brazil, Thursday, Sept. 6, 2018. Officials and Bolsonaro's son said the far-right candidate was in stable condition, though the son also said Bolsonaro suffered severe blood loss and arrived to the hospital
Apesar de não ter data exata para a realização da nova análise psicológica, o pedido do MPF deve ser apreciado na semana que vem (Foto: Polícia Militar via AP)

O autor da facada no presidente Jair Bolsonaro (PL), Adélio Bispo de Oliveira, vai passar por uma nova perícia e pode ser liberado. O atentado ocorreu em setembro de 2018, quando Bolsonaro ainda era candidato a presidente da República e participava de um ato de campanha em Juiz de Fora (MG). Adélio foi preso no mesmo dia.

Em laudo de 2019, o homem foi diagnosticado com transtorno delirante permanente paranoide, o que não permite a punição criminal. Ele, então, foi considerado inimputável, ou seja, considerado incapaz de entender o caráter ilícito do fato.

A sentença transitou em julgado em 12 de julho de 2019. Na decisão, foi determinado que a perícia médica para saber se o estado de saúde mental dele permanece o mesmo, e se ele ainda representa um risco para a sociedade, deve ser realizada ao fim do prazo mínimo de 3 anos, que se encerra em 12 de julho de 2022.

Nesta semana, o Ministério Público Federal (MPF) solicitou à Justiça que determine a realização da perícia médica de Adélio, segundo o g1.

Como o prazo inicial de 3 anos de internação está prestes a vencer, o pedido para averiguar a persistência ou cessação da periculosidade de Adélio já foi recebido e encaminhado para análise.

Segundo o jornal, apesar de não ter data exata para a realização da nova análise psicológica, o pedido do MPF deve ser apreciado na semana que vem.

"Os autos encontram-se conclusos para decisão de Dr. Bruno Savino. Até o momento, ele ainda não analisou o pedido do MPF, mas deve determinar a expedição de ofício ao juízo da 5ª Vara Criminal de Campo Grande (MS), solicitando que aquele juízo providencie a realização da perícia, pois é o responsável pela fiscalização da medida de segurança imposto a Adélio Bispo de Oliveira", explicou a Justiça Federal.

Depoimento de Adélio em vídeo

Em novembro de 2020, o responsável por dar uma facada no presidente Jair Bolsonaro deu detalhes das motivações para o ato, dizendo que houve razões políticas e religiosas e ainda afirmou que considera o presidente um impostor. O vídeo com o depoimento de Adélio foi feito pela Polícia Federal e divulgado pela revista Veja.

Internado compulsoriamente por transtornos mentais, Adélio revela que agiu por "ordem divina" e que tinha desprezo pelo então candidato porque Bolsonaro. Segundo ele, o atual presidente, que é católico, tinha se "infiltrado" no meio evangélico para angariar votos.

"Ele é um impostor, meramente um impostor", disse. Ele foi considerado inimputável pela Justiça devido aos problemas mentais diagnosticados. Ou seja, estará isento de pena em razão de doença que, ao tempo da ação não era capaz de entender o caráter ilícito do fato.

Desde então, está internado no presídio federal de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, onde ele diz sofrer retaliações por ter tentado matar Bolsonaro e onde prestou seus últimos depoimentos gravados em vídeo. A revista não indicação da data da gravação.

Planejamento do atentado contra Bolsonaro

Adélio ainda diz que planejou o ato com pouca antecedência — três dias antes da visita de Bolsonaro à cidade de Juiz de Foram, em Minas Geras — e que tinha “ordem divina”. Ele conta que, no dia do ato, pensou em desistir quando Bolsonaro entrou em um prédio público. Segundo ele, até o roubo de uma arma de fogo de um policial militar no local para tentar matar o candidato com um tiro foi cogitado.

Segundo dois relatórios da Polícia Federal, Adélio agiu sozinho e não fazia parte de nenhum plano maior para tirar a vida de Bolsonaro — tese que Bolsonaro chegou a discordar mesmo em discurso nas Nações Unidas. O autor do atentado disse que não se arrepende do ato, e que estava pronto para morrer fuzilado após a facada. "Para minha surpresa, estou vivo. Com todos esses problemas, mas vivo."

No depoimento, ele afirma que esteve próximo do vereador Carlos Bolsonaro em um clube de tiro em Florianópolis tempos antes. Porém, não havia recebido "ordem divina" para atentar contra o filho do presidente. "Eu não tinha pensado. Quando ele [Deus] disse, eu fiquei até surpreso", disse.

Em alguns momentos, ele fala sobre a teoria de que a Maçonaria é mantida com recursos do estado, e que mesmo um agente do FBI o visitou em Balneário Camboriú (SC), em 2016, quando ele ainda trabalhava como garçom.

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