Um adeus familiar para Elizabeth II após dias de homenagem popular

A rainha Elizabeth II será sepultada na segunda-feira (19) em uma cerimônia privada no Castelo de Windsor, revelou a Casa Real nesta quinta-feira (15), enquanto milhares de pessoas desfilavam interminavelmente por sua capela ardente em Londres depois de superar uma fila de oito quilômetros.

A morte da monarca aos 96 anos, há apenas uma semana, encerrou o reinado mais longo da história do Reino Unido - 70 anos -, e sua vida merece "uma homenagem apropriada", explicou Edward Fitzalan-Howard, duque de Norfolk, a pessoa que prepara o funeral há duas décadas.

"O respeito, a admiração e o carinho que se professaram pela rainha fazem da nossa tarefa (...) uma honra e uma grande responsabilidade", acrescentou em reunião informativa com a imprensa.

Será sepultada na segunda à 19H30 (15H30 de Brasília) em uma cerimônia privada na capela familiar da igreja de Saint George, no castelo de Windsor, após o funeral de Estado durante a manhã em Londres.

Três dias antes, na sexta-feira (16), também às 19H30 locais, seus filhos, liderados pelo primogênito, o rei Charles III, participarão na cerimônia que é conhecida como "vigília dos príncipes".

A rainha descansará nesta capela com seu pai George VI, seu marido Philip de Edimburgo, sua mãe Elizabeth e sua irmã Margaret.

Mais de 100 chefes de Estado e de Governo e outras personalidades devem comparecer ao "funeral do século", como o presidente americano, Joe Biden, o brasileiro Jair Bolsonaro, o rei da Espanha, Felipe VI, e o imperador do Japão, Naruhito.

Após o serviço religioso, o caixão de Elizabeth II percorrerá as ruas de Londres em um cortejo fúnebre que terminará no Wellington Arch, no Hyde Park, de onde partirá para Windsor.

Quinze por cento dos voos que saem ou chegam de Heathrow, cerca de 150, sofrerão alterações para não perturbar os momentos mais solenes da despedida, como os dois minutos de silêncio, anunciou o principal aeroporto de Londres.

Sobre a participação da família real nos diversos ritos de luto, o príncipe William, herdeiro da coroa, comentou que seguir o caixão de sua avó na quarta-feira pelas ruas de Londres despertou nele memórias ruins de quando era adolescente e teve que fazer o mesmo na ocasião da morte de sua mãe, a princesa Diana.

"Fazer a caminhada ontem foi difícil. Trouxe de volta algumas memórias", afirmou William, de 40 anos, a um grupo de cidadãos, como pode se ouvir em imagens transmitidas pela Sky News.

- "Incrivelmente emocionante" -

O caixão com o corpo da monarca está desde quarta-feira no Westminster Hall, a área mais antiga do Parlamento, uma sala majestosa do século XI que é o berço institucional do Reino Unido.

Milhares de pessoas passaram, emocionadas, por Elizabeth II, após cerca de oito horas esperando em uma fila que à tarde superava os oito quilômetros.

O caixão está coberto com o brasão real, a coroa imperial e seu cetro, com velas em cada canto. Um grupo de guardas usando uniformes cerimoniais permanece posicionado ao redor - um deles inclusive chegou a desmaiar na noite passada.

A londrina Rupa Jones, de 43 anos, esperou sete horas com sua tia para ver a rainha e contou à AFP que a experiência foi "arrebatadora".

Harvey, um contador de 50 anos, descreveu como uma experiência "incrivelmente emocionante" passar diante da rainha. Ele disse que muitas pessoas choravam, "mas em silêncio total".

O uso de celulares está proibido no local.

Enquanto isso, o rei Charles III tem, nesta quinta-feira, seu primeiro dia sem compromissos oficiais desde a morte de sua mãe. Ele passará o dia em sua residência de campo de Highgrove, após os primeiros dias de reinado que provocaram polêmica por suas demonstrações de irritação.

Imagens divulgadas na terça-feira mostraram o novo rei inconformado com uma caneta utilizada para assinar um livro de honra que parecia perder a tinta. "Oh, Deus, eu odeio isso! (...) Eu não aguento essa maldita coisa"", exclamou o monarca.

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