Adeus Manchester United: Cristiano Ronaldo é um goleador livre no Mundial

O Manchester United anunciou esta terça-feira o divórcio por "mútuo acordo" com Cristiano Ronaldo e ainda revelou a abertura para algo que o português sugeriu de forma indireta: a mudança de proprietários.

A saída do jogador, de 37 anos, tem "efeitos imediatos" antes mesmo da estreia no Mundial do Qatar do melhor goleador da História. Ronaldo é um jogador livre e a especulação já começa a ferver sobre o futuro de CR7 após o torneio.

Em comunicado publicado no site oficial, o Manchester United "agradece a Ronaldo o imenso contributo nas duas passagens pelo Old Trafford, nas quais marcou 145 golos em 346 jogos, e deseja-lhe bem, a ele e à família, para o futuro".

"Toda a gente no Manchester United mantém-Se focada em continuar o progresso da equipa sob Erik Ten Hag e a trabalhar junta para encontrar o sucesso no relvado", acrescentou o Manchester United.

Num outro comunicado publicado horas depois, os "red devils" revelaram ter iniciado "um processo para explorar alternativas estratégicas para o clube" de forma a "potenciar o futuro crescimento com o derradeiro objetivo de capitalizar em oportunidades tanto no relvado como em termos comerciais".

"Como parte deste processo, a administração vai considerar alternativas estratégicas, incluindo um novo investimento no clube, uma venda ou outras transações envolvendo a companhia", lê-se neste último comunicado onde a família Glazer, proprietária do Manchester United, se mostra disponível para "servir" o clube "no melhor interesse dos adeptos, dos acionistas e das várias partes interessadas."

CR7 reage ao divórcio

Também num comunicado citado pelos meios de comunicação ingleses, Ronaldo confirmou o divórcio "após conversações com o Manchester United", nas quais acordaram "mutuamente antecipar o fim do contrato", que terminava no final de junho e valia ao português mais de 20 milhões de euros/ano.

Amo o Manchester United e os adeptos. Isso nunca vai mudar. No entanto, sinto ser o momento certo para procurar um novo desafio.

Para trás, o capitão da seleção de Portugal deixa uma amarga experiência com Eric Ten Hag, o treinador holandês contratado para esta época pelo Manchester United.

Depois de ter falhado boa parte da pré-época e de uma novela nos jornais onde todos os dias se lia que pretendia sair para um clube que jogasse a Liga dos Campeões e se sucederam supostas recusas em contrata-lo, sem que esclarecesse o que se passava, Ronaldo deixou de ser um jogador indiscutível e poucas vezes titular.

Prometeu ainda em agosto uma entrevista para contar toda a verdade e essa manifestação aconteceu uma semana antes do arranque do Mundial, com o jornalista amigo Piers Morgan.

Ronaldo afirmou ter-se sentido traído pelos líderes do Manchester United, assumiu não respeitar o treinador Ten Hag por não se sentir respeitado e criticou as condições de trabalho que encontrou em Carrington, quando voltou em setembro de 2021 e que eram praticamente iguais às que deixou quando trocou o United pelo Real Madrid em 2009.

O clube inglês analisou a entrevista de Ronaldo e agora anunciou o veredicto, após negociações entre as partes e sem esclarecer se haverá indemnizações de parte a parte.

Cristiano Ronaldo é um jogador livre em véspera de se estrear no quinto e provavelmente último Mundial da carreira.

O jogador esteve na sala de imprensa da Seleção portuguesa no Qatar, na segunda-feira, e pediu para os jornalistas deixarem de importunar os colegas da equipa nacional com a situação gerada pela polémica entrevista.

O divórcio com o United agora anunciado deve, no entanto, voltar a colocar Ronaldo no foco das perguntas. Até porque a especulação sobre o futuro do português já ferve.

Em caso de vitória no Mundial, numa final diante da Argentina, de Messi, Ronaldo admitiu na referida entrevista a Piers Morgan que deixava o futebol profissional, mas as hipóteses de continuar a jogar são maiores.

Há quem coloque o milionário Newcastle no caminho de Ronaldo; Piers Morgan já manifestou o desejo de ver o português representar o Arsenal, clube que CR7 elogiou na polémica entrevista; e há inclusive quem olhe para recente campanha da Louis Vuitton e aposte na formação de uma dupla até há pouco improvável: a contratação pelo Paris Saint-Germain para o juntar a Messi no ataque à conquista da Liga dos Campeões.

Aconteça o que acontecer, primeiro está o Mundial e quinta-feira acontece a estreia de Ronaldo no Qatar, diante do Gana.