Adiamento do Brexit terá 'custo' econômico e político, diz Barnier

Os ministros Greg Clark e Claire Perry partem do número 10 da Downing Street, residência oficial de Theresa May, após a reunião semanal do governo britânico, nesta terça-feira, 19 de março, em Londres.

Qualquer adiamento do Brexit terá um "custo" econômico e político, alertou nesta terça-feira o negociador europeu Michel Barnier, que pediu para o governo britânico justificar devidamente um eventual pedido de prolongamento.

"Um adiamento é um prolongamento da incerteza. Tem um custo político e econômico", indicou Barnier em coletiva de imprensa, após uma reunião dos ministros de Assuntos Europeus sobre o Brexit, sem seu par britânico.

O Reino Unido deve abandonar a União Europeia (UE) em 29 de março. E, a dez dias da data, a atenção se volta para uma carta que a primeira-ministra britânica, Theresa May, poderia enviar a seus 27 sócios solicitando um adiamento do Brexit.

Um porta-voz de Downing Street afirmou que May enviará uma carta nesta terça ou quarta-feira ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, solicitando uma extensão não determinada, mas que seus sócios precisarão aprovar unanimemente.

Os mandatários "precisarão de um plano concreto do Reino Unido" antes de tomar sua decisão, disse Barnier, que lançou algumas perguntas, como por exemplo: "Um adiamento aumenta as possibilidades de ratificação do acordo?".

Outro dos cenários indicados pelo negociador europeu foi uma revisão da Declaração Política, que acompanha o acordo do Brexit e cria as bases da futura relação entre Reino Unido e UE.

A Declaração Política "poderia se tornar mais ambiciosa nos próximos dias, se uma maiorisa da Câmara dos Comuns assim o desejar", garantiu Barnier.