Adiamento de Escócia x Ucrânia entra na lista de interferências das guerras nas Copas; relembre outras

Em jogo marcado pelo extracampo, Ucrânia e Escócia começam nesta quarta, às 15h45 (de Brasília), a decidir quem ficará com a última vaga para a Copa do Catar. O vencedor enfrentará País de Gales, domingo, na final do playoff europeu. Uma definição que poderia ter saído há mais de dois meses, não fosse a invasão russa que transformou o território ucraniano num cenário de guerra e já matou mais de 3.300 pessoas.

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Embora não seja comum, esta não é a primeira vez que a Copa do Mundo é impactada por conflitos armados. O torneio da Fifa já teve uma edição adiada, um dos participantes definidos em W.O. por razões políticas e até um jogo de eliminatória como capítulo importante de um confronto entre países. O GLOBO lista abaixo os episódios mais marcantes envolvendo o Mundial e guerras.

Edição adiada

Em decorrência da Segunda Guerra Mundial, a quarta edição da Copa foi adiada em oito anos. O torneio, que era para ter sido disputado em 1942, só aconteceu em 1950. Mas, apesar do conflito ter começado em 1939, a Fifa só tomou a decisão de adiar o evento dois anos depois.

Alemanha, Argentina e Brasil brigavam para ser a sede. Com a Europa em guerra, já havia a expectativa de o torneio fosse para a América do Sul, o que viria a se confirmar mais tarde.

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Uma curiosidade é que, inicialmente, a Copa fora marcada para 1949. Mas, para que as nações europeias tivessem mais tempo de se recuperar da guerra terminada em 1945 e o próprio Brasil ganhasse mais um ano para organizar o torneio, a Fifa o adiou por mais um ano.

Sanções internacionais

A exclusão de times e seleção da Rússia de competições de futebol como retaliação pela invasão das tropas à Ucrânia não é uma medida inédita. Na Copa de 1950, duas seleções sequer participaram das eliminatórias por causa de sanções: o Japão e a Alemanha. Derrotados na Segunda Guerra, os dois encontravam-se ocupados pelos Aliados.

Guerra do futebol

A eliminatória para a Copa do México, em 1970, entrou para a história da geopolítica de El Salvador e Honduras. As duas seleções se enfrentaram em uma série de três jogos marcados por muita tensão diplomática, agressões e uma guerra que durou 100 horas.

Os jogos ocorreram num momento em que a relação entre os dois vizinhos estava totalmente desgastada. Em 1969, ano em que as partidas foram realizadas, cerca de 10% da população de Honduras era de salvadorenhos. A xenofobia era forte, e um processo de expulsão estava em curso. Por isso, a imprensa destes países tratou as partidas como questão de honra para as duas pátrias, o que acabou acirrando os ânimos.

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Tanto no primeiro jogo, em Tegucigalpa-HON, quanto no segundo, em San Salvador-ELS, as seleções visitantes foram tratadas com muita hostilidade. Na capital salvadorenha, houve registros de dois mortos, dezenas de feridos e carros destruídos. No terceiro, disputado no México, vitória de El Salvador, o que levou a seleção para a decisão contra o Haiti, também vencida por ela.

Historiadores consideram os jogos catalisadores das tensões diplomáticas. Após a realização deles, os dois países entraram em guerra. Graças à intervenção da Organização dos Estados Americanos, o confronto cessou depois de 100 horas. Mas o tratado de paz mesmo só seria assinado uma década depois.

A "partida fantasma"

Um dos participantes da Copa de 1974, na Alemanha, foi definido de forma incomum. Um ano antes, Chile e União Soviética decidiriam uma vaga de repescagem (na época disputada entre sul-americanos e europeus). Na política, os dois países eram totalmente opostos. Enquanto os soviéticos viviam a experiência comunista, os sul-americanos eram governados por uma ditadura de direita que assumira após um golpe de estado realizado apenas 15 dias antes do confronto.

No primeiro jogo, 0 a 0 em Moscou. No segundo, o local escolhido pela federação chilena foi o Estádio Nacional, em Santiago. Só que ele fora transformado pelo governo de Augusto Pinochet na maior prisão política da América Latina. Reunia registros de tortura e morte. A União Soviética se recusou a disputar a partida no local. Diante da recusa dos chilenos em alterar a localização da partida, um impasse se criou.

O que se viu em seguida é chamado pelos historiadores do futebol de "jogo fantasma". Para ser declarada vencedora por W.O. a seleção chilena precisou cumprir um protocolo. Os jogadores foram a campo no dia marcado, deram o pontapé inicial, conduziram a bola até a meta rival vazia e a fizeram atravessar a linha do gol.

Para capitalizar com a classificação ao Mundial, o governo Pinochet transformou o "jogo fantasma" num evento e convidou a seleção brasileira para enfrentar os chilenos num amistoso logo em seguida. Mas o efeito não foi o esperado. Primeiro porque Pelé, a grande estrela dos então tricampeões mundiais, não compareceu. Além disso, o time da casa acabou derrotado por 5 a 0.

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